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Brasil abre diálogo ministerial que marca primeiro ciclo da estrutura de transparência aprimorada do Acordo de Paris

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O Brasil abriu na quarta-feira (13), na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), o diálogo ministerial de alto nível sobre transparência que celebra o primeiro ciclo da estrutura de transparência aprimorada do Acordo de Paris. O evento ocorre na sequência da submissão dos primeiros relatórios bienais de transparência (BTRs), das revisões técnicas por especialistas e das participações das partes nas primeiras sessões de Consideração Multilateral Facilitada de Progresso. Os relatórios são considerados um marco da plena implementação do tratado internacional, que completa 10 anos em 2025. A síntese dos dados apresenta um panorama internacional para as áreas de mitigação, adaptação e financiamento.

O evento reuniu o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, o presidente da COP29, Mukhtar Babayev, o secretário-executivo do Secretariado da Convenção do Clima, Simon Stiell, e a diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Inger Andersen.

O coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), representando a presidência da COP30, Márcio Rojas, e o negociador líder da presidência da COP29, Yalchin Rafiyev, efetuaram a sessão de abertura, na qual destacou-se a importância de manter a transparência como impulso para a ambição climática, incluindo a garantia de apoio contínuo aos países em desenvolvimento.

A estrutura aprimorada de transparência estabeleceu as diretrizes para elaboração de modo unificado as metodologias que devem ser utilizadas por países desenvolvidos e em desenvolvimento para a elaboração dos inventários nacionais de gases de efeito estufa, por exemplo. Os documentos submetidos passam por revisão técnica de especialistas internacionais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança de Clima (UNFCCC), com o objetivo de incentivar e fortalecer a qualidade das informações e identificar lacunas de capacidades nacionais para que a agenda avance.

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De acordo com dados do relatório síntese elaborado pelo secretariado da UNFCCC, até 15 de abril deste ano, mais de 100 BTRs, incluindo Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa (GEE), foram submetidos. O número abrange cerca de 75% das emissões globais de GEE.

Na avaliação de Rojas, para o Brasil a elaboração das Comunicações Nacionais e BTR vai além do cumprimento dos compromissos com o marco de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) e Transparência no âmbito da Convenção do Clima e do Acordo de Paris. “Esses relatórios têm apoiado nosso governo na elaboração de políticas eficazes e eficientes para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, conforme evidenciado em nossos Planos Nacionais de Adaptação e Contribuições Nacionalmente Determinadas”, detalhou na fala de abertura sobre a ação simultânea de informar e fortalecer nossos processos nacionais de formulação de políticas.

Rojas destacou ainda que o ciclo virtuoso de sinergias entre as obrigações internacionais e o fortalecimento de capacidades nacionais é impulsionado pela contribuição da ciência. Segundo ele, o papel central da ciência no enfrentamento da mudança do clima, em especial para o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências.  “Essa interface ciência-política não é apenas benéfica, é essencial para criar soluções sustentáveis e de longo prazo para as mudanças climáticas e para construir resiliência em nossas comunidades e ecossistemas”, afirmou.

 O diretor do escritório global de Suporte a Políticas e Programas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Marcos Neto, comparou a transparência a uma bússola. No Acordo de Paris, a transparência é pilar transversal que orienta a ambição e a implementação das ações de mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação. “A estrutura aprimorada de transparência não é simplesmente um instrumento de reporte, é a força gravitacional que mantém o Acordo de Paris unido”, resumiu. Segundo Neto, o secretário-geral das Nações Unidas solicitou ao Pnud a arquitetura do Climate Promise, que apoia os países na elaboração dos BTRs e oferece assistência técnica. O programa também deve trabalhar com todo o sistema ONU para apoiar os países na implementação das NDCs. “A transparência continuará desempenhando um papel fundamental nesse esforço renovado”, disse.

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Ministros de diferentes países participaram do diálogo abordando os benefícios de implementar o ETF nos processos nacionais de desenvolvimento, entre os quais estavam o ministro de Meio Ambiente, Florestas e Pesca da África do Sul, Dion George, e a ministra para o Clima no Departamento para Segurança Energética e Net Zero do Reino Unido, Katie White.

Ciência&Clima

O Ciência&Clima é o projeto de cooperação técnica internacional executado pelo MCTI, com apoio do Pnud na sua implementação e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Ao longo de três décadas de execução das edições do projeto, apoiou o Brasil na elaboração e submissão de quatro Comunicações Nacionais, cinco Relatórios de Atualização Bienal e o Primeiro Relatório Bienais de Transparência do Brasil à Convenção do Clima. O projeto trabalha para fortalecer as capacidades nacionais na implementação da Convenção do Clima e promover a conscientização sobre os impactos da mudança do clima no País.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

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O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

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Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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