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Brasil é eleito para presidência da Parceria Internacional para o Hidrogênio e Pilhas a Combustível na Economia (IPHE)
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O Brasil foi eleito, em junho, no Chile, para a presidência da Parceria Internacional para o Hidrogênio e Pilhas a Combustível na Economia (IPHE). Indicado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Emílio Valadão de Miranda, será o representante brasileiro com mandato até 2027. A liderança brasileira é inédita na história da entidade.
A IPHE foi criada em 2003 como uma parceria internacional entre governos cujo o objetivo é facilitar e acelerar a transição para sistemas e energia e mobilidade limpos e eficientes usando tecnologias de pilhas a combustível e hidrogênio. A instituição é composta por 26 países e a Comissão Europeia.
O MCTI atua na cadeia do hidrogênio por meio da Iniciativa Brasileira de Hidrogênio (IBH2), lançada em 2022. Um dos instrumentos é o Sistema Brasileiro de Laboratórios de Hidrogênio (SisH2), uma rede de 12 laboratórios que atua no desenvolvimento tecnológico em áreas como a produção de hidrogênio a partir de fontes renováveis, armazenamento, segurança, transporte e uso no setor de transportes e de energia elétrica, por exemplo.
O professor Paulo Emílio coordena o Laboratório de Hidrogênio (LabH2) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ). Ele possui doutorado, mestrado e bacharelado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais pela UFRJ e pós-doutorados desenvolvidos na École Centrale de Paris e na Université de Paris-Sud, França. Publicou mais de 70 artigos em periódicos e tem 15 patentes registradas em seu nome. Também é presidente da Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2)
O pesquisador ainda atua no desenvolvimento de materiais, tecnologias e dispositivos para a adoção da energia do hidrogênio, é integrante do Comitê Gestor do Programa Nacional do Hidrogênio (COGES/PNH2) e tem se envolvido ativamente na IPHE desde a sua criação em 2003.
Segundo ele, o hidrogênio de baixa emissão de carbono terá papel relevante no atingimento das metas de neutralidade climática até 2050 estabelecidas no Acordo de Paris e a eleição do Brasil é um reconhecimento global da proeminência do país no setor. “Pilhas a combustível (e não células a combustível) são dispositivos eletroquímicos que convertem a energia química do hidrogênio em energia elétrica e calor com altíssima eficiência”, explica.
Paulo Emílio concedeu uma entrevista ao MCTI sobre a indicação.
MCTI – Qual a importância de o Brasil fazer parte da IPHE?
Professor Paulo Emílio – A participação brasileira na IPHE é de tal importância que levou o Brasil a ter uma atitude pioneira, por constar como um dos primeiros países do mundo a lançar uma estratégia nacional para o hidrogênio. Tendo tomado parte da IPHE na sua criação em 2003, já em 2005 o Brasil lançou a sua primeira estratégia nacional para o hidrogênio e hoje desenvolve o Programa Nacional do Hidrogênio, PNH2. Isso foi muito importante por ter estabelecido precocemente os direcionamentos do setor, o que hoje facilita o desenvolvimento do PNH2, e induziu ações na academia, na pesquisa e desenvolvimento e no boom industrial que o país experimenta nesta área, o que contribui para a descarbonização das atividades da nossa sociedade, que já é elevada.
MCTI – Quais as suas prioridades à frente do mandato nos próximos dois anos?
Professor Paulo Emílio – Meus direcionamentos incluem dar visibilidade, através de publicações de largo espectro, ao conhecimento gerado pela IPHE, reestruturar suas atividades organizacionais internas para facilitar a influência em políticas públicas do setor nos países-membros e agregar novos países à parceria com alto potencial de desenvolvimento de atividades sobre hidrogênio de baixa emissão de carbono e pilhas a combustível.
MCTI – Como o senhor avalia as ações do MCTI na temática das tecnologias com uso do Hidrogênio?
Professor Paulo Emílio – O MCTI, enquanto partícipe destas ações há muitos anos e responsável em nome do Governo Brasileiro pelas atividades brasileiras na IPHE, tem tido atuação muito relevante no país. Desde o início dos anos 2000 dedicou esforço à estruturação e ao financiamento de laboratórios e projetos de pesquisa e desenvolvimento no setor, gerenciou o desenvolvimento de projetos cooperativos nacionais e de projetos específicos em instituições de ensino e pesquisa através do CNPq e da Finep, patrocinou a realização da Conferência Mundial de Energia do Hidrogênio em 2018 (WHEC2018) o 3° Congresso Brasileiro do Hidrogênio em 2023, o 4° Congresso Brasileiro do Hidrogênio, que se realizará de 22 a 24 de outubro em Brasília, atuou fortemente nas discussões que resultaram na promulgação do Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono e do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono e é membro do Comitê Gestor do Programa Nacional do Hidrogênio.
MCTI – Por fim, como a presidência do Brasil na IPHE pode ajudar esse campo no país?
Professor Paulo Emílio – A presidência do Brasil na IPHE dará muita proeminência ao país em nível internacional neste setor, justamente num momento em que o mundo atua muito ativamente para descarbonizar as atividades industriais, do transporte e da sociedade como um todo, visando enfrentar a emergência climática atual. Isso também ocorre quando o Brasil atua fortemente nos BRICS, no Mercosul e realiza a COP30 em Belém do Pará.
Isso contribuirá para direcionar financiamento externo às atividades do hidrogênio de baixa emissão de carbono e às pilhas a combustível no Brasil, importante para prosseguir com o seu processo de descarbonização. Estimulará a vinda de empresas do exterior para atuar no Brasil, promoverá uma neoindustrialização do país com a criação de empregos de nível especializado e contribuirá para o desenvolvimento da formação de pessoal especializado e de pesquisa científica e tecnológica.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.


