TECNOLOGIA
Brasil sedia a 7ª Reunião do GT Brics em Ciência dos Materiais e Nanotecnologia
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Salvador (BA) recebeu a 7ª Reunião do Grupo de Trabalho (GT) do Brics em Ciência dos Materiais e Nanotecnologia. O evento, que contou com representantes do Brasil, Rússia, Índia, África do Sul, Irã e Emirados Árabes Unidos, fez parte do calendário de atividades de ciência, tecnologia e inovação do Brics e foi organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec) e pela Assessoria Especial de Assuntos Internacionais (Assin) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com o apoio da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat). A reunião ocorreu à margem do 23º Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (XXIII B-MRS Meeting).
Na abertura dos trabalhos do GT, de 28 de setembro a 2 de outubro, o secretário da Setec, Daniel Gomes de Almeida Filho, destacou a união entre os países-membros do Brics e sua importância para a ciência. “Essa pluralidade é um poderoso trunfo para a ciência, particularmente em campos estratégicos como ciência dos materiais e nanotecnologia, em que a cooperação entre nossas instituições pode gerar soluções tecnológicas com impacto global, sustentável e inclusivo”, afirmou.
Em 2025, o Brasil assume a presidência brasileira do Brics, e o MCTI dá continuidade com a coordenação da agenda. Durante o período, 14 reuniões de GTs temáticos, incluindo a criação de um novo: o GT sobre Pesquisa em Ciências Sociais e Humanas, estão sendo realizadas. “Olhando para o futuro, o MCTI reafirma seu compromisso com a promoção do avanço científico, do desenvolvimento tecnológico e da inovação com ética, responsabilidade e sustentabilidade”, reforçou Almeida.
GT Brics
O GT do Brics em Ciência de Materiais e Nanotecnologia foi estabelecido conforme a Declaração dos Países Brics, assinada em Hangzhou na 5ª Reunião dos Ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) em 2017. A primeira reunião ocorreu na Rússia, no mesmo ano. Reuniões anuais são organizadas desde 2020.
Durante os cinco dias de atividades, os delegados acordaram um plano de ação para os próximos seis meses, que inclui a atualização da plataforma Brics-NCMSN. Os países se comprometeram a unir esforços para atualizar o espaço com informações de pesquisadores, infraestrutura, programas nacionais, atas e registros de reuniões, além de promover maior transparência das iniciativas em ciência de materiais e nanotecnologia.
Também foi definida a organização de workshops on-line com apresentação de resultados de 41 projetos já apoiados no âmbito do Brics em Ciência dos Materiais e Nanotecnologia. Além disso, maior visibilidade das iniciativas, mobilidade de pesquisadores e integração com outros grupos de trabalho do Brics foram discutidas.
Os representantes também destacaram a importância da chamada conjunta do Brics e estão empenhados em garantir que haverá inscrições de projetos em ciência de materiais e nanotecnologia. A iniciativa ocorrerá em duas etapas: na primeira, os grupos de pesquisa devem apresentar uma manifestação de interesse conjunta, envolvendo pelo menos três países do bloco; na segunda, cada pesquisador submeterá sua proposta às agências nacionais de fomento correspondentes.
No caso do Brasil, o edital deverá ser lançado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), responsável por avaliar e financiar a participação dos pesquisadores brasileiros nos projetos multinacionais. A chamada busca estimular parcerias trilaterais e ampliar a cooperação científica internacional dentro do Brics.

- Foto da visita técnica realizada no Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia do Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-Cimatec). Foto: Divulgação
Além disso, as delegações do grupo tiveram a oportunidade de visitar o Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia do Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-Cimatec), uma das instituições mais avançadas do Brasil em educação, pesquisa aplicada e inovação, em Salvador. Por fim, os delegados manifestaram concordância com a candidatura da Índia em sediar a 8ª Reunião do Grupo de Trabalho em 2026.
A ciência dos materiais e nanotecnologia
Motivo dos debates e parte importante da produção científica, a ciência dos materiais investiga do que as coisas são feitas, como funcionam e como aprimorar ou criar novos materiais, baseando-se em quatro princípios: estrutura (organização de átomos e moléculas), propriedades (comportamento do material), processamento (como fabricar ou modificar) e desempenho (como se sai na prática, em carros, celulares, implantes ou baterias).
Essa área produz desde próteses de titânio e implantes dentários de cerâmica até chips de computador e tecnologias de reciclagem avançada. A nanotecnologia, por sua vez, manipula a matéria em escala atômica e molecular, criando materiais com propriedades inéditas, como maior resistência, leveza e condutividade, aplicados em saúde, energia e eletrônica.
No MCTI, a Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia (IBN), criada em 2013 e institucionalizada em 2019, coordena e fortalece atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, conectando comunidade científica, setor produtivo e governo para transformar avanços de laboratório em soluções aplicadas, aumentando a competitividade da indústria e a soberania tecnológica. Entre seus principais programas estão:
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Sisnano: 22 laboratórios nacionais de referência abertos a empresas e pesquisadores
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INCTs de Nanotecnologia e Materiais Aavançados: 24 institutos atuando em nanobiotecnologia, nanoeletrônica e nanomateriais
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Sibratecnano: centros de inovação que integram pesquisa acadêmica e empresas
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InovaGrafeno: cria, integra e fortalece as ações governamentais no tema do grafeno e dos materiais 2D à base de carbono
Na área de ciência dos materiais, a Política de CT&I para Materiais Avançados (2021) orienta o desenvolvimento do setor, definindo prioridades como grafeno, nanomateriais, compósitos e cerâmicas de alto desempenho, alinhando esforços do governo e do setor produtivo para fortalecer a inovação no País.
XXIII B-MRS Meeting
Reunindo cientistas, engenheiros, estudantes e indústria, o XXIII B-MRS Meeting, organizado pela SBPMat, é considerado um dos maiores eventos da área na América Latina. Lá, avanços mais recentes e as perspectivas futuras da ciência dos materiais e suas tecnologias foram discutidos. Segundo a organização, a iniciativa recebe mais de 2,8 mil inscritos de 40 países, e ocorreu no Centro de Convenções de Salvador.
Com 22 simpósios temáticos e cerca de 2,5 mil trabalhos aprovados, o XXIII B-MRS Meeting abordou desde o desenvolvimento de novos materiais até aplicações em setores como saúde, energia, agricultura, eletrônica, fotônica, ciência forense e impressão 3D.
TECNOLOGIA
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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