TECNOLOGIA
Inscrições prorrogadas: projeto de Inteligência Artificial do MCTI oferece bolsa de R$ 12,5 mil para pesquisa
TECNOLOGIA
O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e o CTI Renato Archer prorrogaram as inscrições da Chamada Pública 01/2026 para concessão de bolsa de pesquisa no projeto “IA nas atividades do CTI – Renato Archer”. A iniciativa conjunta é voltada para profissionais com doutorado, com remuneração mensal de R$ 12.570 e duração de cinco anos. O prazo para envio de propostas foi estendido até o dia 30 de junho.
Os dois institutos são vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A rotina de trabalho é presencial e tem como sede a cidade de Campinas (SP), com possibilidade de atividades pontuais na unidade do LNCC, localizada em Petrópolis (RJ).
Processo seletivo
Para concorrer, é exigido que o candidato tenha concluído doutorado em Ciência da Computação, Matemática, Tecnologia da Informação ou áreas correlatas. O edital também pede domínio conceitual em campos específicos, a exemplo de segurança de dados, modelagem computacional e computação de alto desempenho (HPC).
O processo seletivo ocorre em duas etapas. A primeira consiste na análise do currículo e de um projeto de trabalho de até cinco páginas, que deve detalhar a metodologia e os resultados esperados. Aqueles que atingirem nota superior a 7,0 avançam para a fase final, composta por uma entrevista online.
Como se inscrever
As candidaturas são recebidas exclusivamente pelo e-mail [email protected]. O assunto da mensagem deve seguir o formato exato: “Chamada Pública 1/2026 – Acordo de Parceria 2/2025 – Nome do Candidato – Bolsas Projeto IA nas Atividades do CTI – RENATO ARCHER”.
No corpo do e-mail ou em anexo, o interessado precisa enviar as seguintes informações e documentos:
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Nome completo e e-mail para contato;
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Link para o Currículo Lattes atualizado;
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Cópia simples do diploma ou certificado de conclusão do doutorado;
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Projeto de trabalho em formato PDF.
TECNOLOGIA
Pesquisa do Cemaden e INPE usa inteligência artificial para tornar previsões de enxurradas mais confiáveis
As enxurradas estão entre os desastres naturais mais difíceis de prever. Em poucos minutos, chuvas intensas podem transformar rios e ruas em correntes violentas, reduzindo o tempo de reação das Defesas Civis e aumentando os riscos para a população. Agora, uma pesquisa conduzida por tecnologistas e pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) propõe um novo caminho para tornar essas previsões mais confiáveis com o uso de inteligência artificial.
O Cemaden e o INPE são unidades de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Publicado na revista científica Transactions in GIS, o trabalho introduz uma abordagem inovadora para modelos de aprendizado de máquina (machine learning). O diferencial está em incluir, nas previsões, algo que normalmente fica de fora: as incertezas presentes nos próprios dados usados pelos sistemas. Na prática, isso permite tornar os alertas mais robustos e confiáveis para uso em sistemas de alerta precoce.
Agora, o modelo não apenas estima o comportamento do rio, mas também informa o grau de confiança daquela previsão — um dado importante para decisões em situações de risco.
Para Jaqueline Soares, tecnologista do Cemaden e primeira autora do estudo, a principal inovação está em incorporar explicitamente as incertezas aos modelos de previsão. “O estudo tem como foco central a incorporação da análise de incertezas aos modelos de aprendizado de máquina, tornando as previsões mais robustas e confiáveis para uso em sistemas operacionais de alerta precoce”, afirma.
Hoje, grande parte dos sistemas trabalha com previsões determinísticas, que indicam apenas um resultado possível. O problema é que os dados usados nesses modelos podem conter falhas causadas por limitações de sensores, ausência de medições, erros de calibração ou até pelas etapas de processamento das informações.
O que o estudo propõe
A pesquisa apresenta quatro contribuições principais:
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Criação de uma base pública inédita com cinco anos de dados hidrometeorológicos de alta resolução (2019 a 2023);
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Desenvolvimento de uma metodologia para analisar como as incertezas dos dados afetam as previsões;
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Criação de um modelo probabilístico chamado Uncertainty-Aware Ensemble for Machine Learning (UAE-ML), que gera faixas de previsão em vez de apenas um valor único;
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Desenvolvimento de novas métricas para medir robustez e propagação das incertezas nos modelos.
A base de dados reúne estimativas de chuva obtidas por radar meteorológico e medições de nível d’água, permitindo representar com maior precisão tanto a distribuição das chuvas quanto a resposta dos rios.
“A disponibilização pública de uma base de dados hidrometeorológicos de alta resolução, composta por cinco anos de registros, fortalece a ciência aberta, a reprodutibilidade e o desenvolvimento de novas pesquisas aplicadas à realidade brasileira”, explica Jaqueline.
Estudo de caso em Nova Friburgo (RJ)
A metodologia foi aplicada na bacia do rio Bengalas, em Nova Friburgo (RJ), uma das regiões mais vulneráveis a enxurradas no Brasil. A área reúne relevo acidentado, urbanização intensa e um histórico marcado por desastres naturais, incluindo a tragédia de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro.
Para avaliar o desempenho do sistema, os pesquisadores analisaram mais de 73 mil registros hidrometeorológicos e testaram cinco técnicas diferentes de aprendizado de máquina, incluindo redes neurais e modelos baseados em árvores de decisão. Os testes consideraram previsões que variavam de 30 minutos a 6 horas de antecedência.
Os resultados mostram que não existe um único modelo ideal para todos os cenários. Em alguns casos, métodos mais precisos apresentaram menor robustez diante de dados incertos. “Propomos uma avaliação multicritério dos modelos, considerando não apenas o desempenho preditivo, mas também aspectos como robustez e custo computacional”, destaca Jaqueline.
Para os pesquisadores, esse tipo de análise é essencial em sistemas operacionais de alerta, que precisam equilibrar velocidade, precisão e confiabilidade em situações reais. A expectativa é que a metodologia contribua para o aprimoramento dos sistemas de alerta precoce do Cemaden, oferecendo mais suporte técnico para gestores públicos e equipes das Defesas Civis durante eventos extremos.
“Ao integrar dados, inteligência artificial e análise de incertezas, a pesquisa busca apoiar o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção e à redução do risco de desastres”, conclui Soares.
O artigo tem como autores Jaqueline A. J. P. Soares (Cemaden), Allan K. S. Soares (Serpro), Luiz F. Satolo (Cemaden e INPE), Graziela B. Scofield (Cemaden), Stephan Stephany (INPE) e Leonardo B. L. Santos (Cemaden e INPE).
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