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Jovens pesquisadores brasileiros conquistam premiações na Regeneron ISEF 2025
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Jovens pesquisadores brasileiros foram premiados na Regeneron International Science and Engineering Fair (Isef) 2025, a maior feira de ciência e engenharia pré-universitária do mundo. Este ano, o evento ocorreu entre os dias 10 e 16 de maio em Columbus, Ohio (EUA). Nesta edição, cinco alunos brasileiros foram premiados. A competição distribuiu aproximadamente US$9 milhões em prêmios, incluindo bolsas de estudo, estágios em centros de pesquisa e viagens de campo.
O Brasil enviou uma delegação composta por 28 estudantes, selecionados por feiras científicas nacionais. 15 dos representantes brasileiros garantiram vaga na Regeneron ISEF através da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que ocorre anualmente em São Paulo, na Universidade de São Paulo (USP). Os outros 13 alunos foram selecionados pela MOSTRATEC (Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia), realizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Os trabalhos apresentados pelos brasileiros abordaram desafios sociais, ambientais e tecnológicos.
A Regeneron International Science and Engineering Fair (Isef) é a mais importante feira internacional de ciências e engenharia voltada para estudantes pré-universitários, realizada anualmente nos Estados Unidos e reunindo jovens talentos de aproximadamente 60 países.
A participação brasileira na ISEF reafirma a relevância das feiras científicas como instrumentos de incentivo à pesquisa na educação básica e de formação de novos talentos. O evento internacional proporciona intercâmbio cultural, networking com cientistas de diversos países e acesso a oportunidades que vão além das fronteiras acadêmicas. Para a maioria dos participantes esta foi a primeira oportunidade de fazer viagem internacional, na qual os estudantes puderam ter contato com a diversidade cultural e também com a qualidade dos trabalhos.
“Foi possível ver, no brilho dos olhos e nos discursos das equipes que participaram da ISEF, o quanto essa experiência estimula a continuidade para fazer uma iniciação científica na graduação, para seguir uma carreira científica, para buscar fazer novos trabalhos”, contou a coordenadora-geral de Popularização da Ciência e Tecnologia do MCTI, Luana Bonone.
Para Bonone, a participação de jovens é uma política fundamental para o estímulo à carreira científica, de desenvolvimento de talentos e de construção de talentos.
“É preciso essa fundamentação da educação científica, das ações de popularização da ciência, para poder capturar essas mentes e corações jovens para que contribuam com esse processo de desenvolvimento do Brasil em novas bases tecnológicas”, explicou a coordenadora. “Nossa perspectiva é pensar ações, programas que possam melhor qualificar e impulsionar a participação de equipes brasileiras em competições internacionais, demonstrando o nosso potencial e também melhor nos posicionando num ambiente internacional”, completou.
A delegação da Mostratec-Liberato participou da feira em Ohio com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CTF) e do Conselho Regional dos Técnicos Industriais (CRT-RS). Já a da Febrace viajou com patrocínio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.
Conheça os trabalhos premiados na Regeneron ISEF 2025
Nos Prêmios Principais, categoria que reúne os melhores trabalhos em 22 categorias temáticas, foram contemplados os projetos:
Watreat: membrana biopolimérica para tratamento de água
Prêmio: Environmental Engineering (ENEV) 4th Award: $600 cash award
Alunos: Isabelle de Sousa Battocchio e Miguel Ribeiro da Silva
Orientadores: Heloina Lopes Capistrano e Francisco Augusto Oliveira Santos
Escola: E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis – Cascável – CE
(Credenciado pela FEBRACE)
Sustainware: alternativa sustentável para a produção de louça cerâmica
Prêmio: Materials Science (MATS) 4th Award: $600 cash award
Aluna: Victoria Zimmer Gomes
Orientadoras: Cínthia Gabriely Zimmer e Suyanne Angie Lunelli Bachmann
Escola: IFRS – Campus Feliz – Feliz – RS
(Credenciado pela FEBRACE)
Já nos Prêmios Especiais, oferecidos por instituições de pesquisa, universidades e organizações científicas internacionais, os trabalhos vencedores foram:
Manganês e metalômica tumoral: uma nova via terapêutica para tumores invasivos
Prêmio: Prêmio Mary Kay Inc. $750
Aluna: Carolina de Araujo Pereira da Silva
Orientadoras: Mariana Paranhos Stelling e Juliana do Carmo Godinho
Escola: IFRJ – Campus Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ (São João de Meriti)
(Credenciado pela FEBRACE)
Pele Artificial Destinada A Regeneração Celular e Tratamento de Queimaduras
Prêmio: Prêmio Mary Kay Inc. $750
Aluna: Sofia Mota Nunes
Orientador: Carlos Fonseca Sampaio
Escola: Escola Santa Teresinha – Imperatriz – MA
(Credenciado pela MOSTRATEC)
Potencial antimicrobiano do extrato hidroalcoólico da Myracrodruon urundeuva (aroeira)
Prêmio: Qatar Research, Development, and Innovation Council (QRID) – $500
Alunos: Gabriel Lopes Fernandes Filho, Otávio da Costa Nogueira e Rita Izabely Lopes da Costa
Orientadores: Michael Pratini Silva de Souza e Douglas Arenhart França
Escola: E.E. Prof. Abel Freire Coelho – Mossoró – RN
(Credenciado pela FEBRACE)
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

