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Livro que celebra os 50 anos do CCT é apresentado na 77ª SBPC
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Com o propósito de celebrar meio século de atuação e reforçar sua relevância para o progresso científico e tecnológico do Brasil, o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) apresentou o livro “50 anos do CCT” nesta quarta-feira, 16, durante a 77ª edição da reunião anual da SBPC, que acontece na UFRPE, no Recife. O lançamento oficial será realizado ainda este ano.
A chefe da assessoria do CCT, Denise Aparecida Carvalho e o professor da Universidade de Brasília (UnB) e co-autor do livro, Thiago de Almeida, conversaram sobre a publicação com as pessoas que compareceram ao encontro.
Criado em 16 de janeiro de 1975, o CCT é peça fundamental na formulação e implementação de políticas públicas, na articulação institucional e no fortalecimento da soberania nacional por meio da pesquisa científica. Ao sistematizar a história do CCT, o livro conta como políticas consistentes e democráticas são fundamentais para alavancar avanços em pesquisa, educação e inovação, que são pilares do desenvolvimento sustentável.
Segundo Denise Carvalho, recentemente foi descoberto que o Conselho teria uma história mais longa do que imaginado anteriormente, que seria de 30 anos. Por meio de um estagiário, foram encontrados documentos assinados pelo ex-ministro Israel Vargas com uma lei de 1996 que comprovavam sua criação no ano de 1975, pois ele fazia parte da primeira gestão do grupo.
“Sentimos que é importante contar essa história para podermos valorizar este Conselho. E, mais que isso, corrigir os problemas que tivemos com uma trajetória acidentada, pois não só o Ministério da Ciência foi desmanchado duas vezes, mas o próprio Conselho passou a maior parte desse tempo ameaçado em sua existência”, afirmou Denise.
A representante do Conselho complementou que o livro pretende contribuir com o resgate de uma história que possibilita dar um salto de qualidade na estruturação de um órgão de Estado e de um órgão que esteja acima dos governos.
O historiador Thiago de Almeida fez uma apresentação do intenso trabalho de pesquisa que foi transformado no livro que conta os 50 anos de história do Conselho. Almeida pontuou a volta do protagonismo do Conselho, que por meio do Governo Lula passou a ter destaque na política nacional. “O livro consegue mostrar essa pluralidade de vozes e perspectivas sobre o tema. E, além disso, mostra como o Governo Lula revitalizou o Conselho, chegando, inclusive, a presidir o CCT”, concluiu.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

