TECNOLOGIA
PL sancionado pelo presidente Lula combate discriminação de gestantes e parturientes em bolsas de estudo e pesquisa no Brasil
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Em um marco para a ciência e a igualdade de gênero no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou hoje (24/04) a lei que combate a discriminação de gestantes, parturientes e pessoas que exercem cuidado de uma ou mais crianças em processos seletivos de bolsas de graduação e pós-graduação. O Projeto de Lei nº 475/2024 é uma iniciativa da deputada federal Erika Hilton.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, “a sanção desta lei representa um avanço fundamental para a construção de uma ciência brasileira mais justa e equitativa. No MCTI, temos convicção de que o talento feminino é essencial para impulsionar a inovação e o desenvolvimento do nosso país. Essa lei vai garantir que mulheres que decidiram seguir carreira científica não sejam punidas por querem ser mães. O Estado deve proteger essas mulheres que oferecem sua inteligência e inventividade para um ambiente científico cada vez mais diverso”.
A nova legislação, com abrangência nacional, proíbe expressamente a utilização de critérios discriminatórios contra estudantes e pesquisadoras em virtude de gestação, parto, nascimento de filho, processo de adoção ou obtenção de guarda judicial para fins de adoção. A aprovação é fruto de manifestações de movimentos estudantis e acadêmicos que há tempos denunciavam a exclusão de mães e gestantes nos processos seletivos.
A deputada Erika Hilton, autora do projeto, enfatizou a importância da lei para garantir a dignidade e os direitos das mulheres na ciência. “Nosso estudo mostrou as dificuldades enfrentadas por mulheres que engravidavam em relação à permanência, reingresso e acesso a bolsas no ambiente acadêmico. Esta lei assegura que a gestação não seja um fator de punição ou um obstáculo para a trajetória acadêmica dessas mulheres”, declarou a parlamentar.
A medida chega em um momento complexo, no qual, apesar da expressiva presença feminina no ensino superior, com mulheres representando 57,5% dos 5,1 milhões de estudantes universitários em 2022, segundo o IBGE, as cientistas ainda enfrentam significativas barreiras em suas trajetórias. O “Efeito Tesoura” ilustra a disparidade. Embora sejam maioria na graduação, as mulheres representam apenas 35,5% dos pesquisadores contemplados com bolsas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O desafio é ainda mais acentuado em áreas fundamentais para o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. Em 2022, apenas 15,7% dos estudantes de Tecnologia da Informação eram mulheres, e elas ocupavam somente 39% dos empregos no setor.
MCTI trabalha para a inclusão e permanência das mulheres na ciência
Consciente dessas desigualdades estruturais, o MCTI tem implementado uma série de políticas, programas e parcerias com o objetivo de ampliar a inclusão e a permanência de meninas e mulheres na ciência, tecnologia e inovação.
“Estamos investindo em bolsas específicas para mulheres negras, ciganas, quilombolas e indígenas, apoiando startups lideradas por mulheres através do Programa Mulheres Inovadoras e garantindo a participação feminina em programas de capacitação em TICs. Acreditamos que, com medidas como esta lei e com o engajamento contínuo do MCTI, vamos transformar o cenário da ciência no Brasil, garantindo que as futuras gerações de cientistas reflitam a diversidade e a riqueza do nosso país”, disse a ministra Luciana Santos.
Principais ações e programas do MCTI voltados para mulheres
- Programa Futuras Cientistas: Em 2024, beneficiou 470 participantes no módulo Imersão Científica e atendeu 100 alunas no módulo Banca de Estudos, incentivando o interesse de meninas e jovens pela ciência e tecnologia.
- Prêmio Mulheres e Ciência: Em parceria com o CNPq e o Ministério das Mulheres, reconhece e premia cientistas em diferentes categorias, com premiações que chegam a R$ 50 mil.
- Edital Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação: Com um investimento de R$ 100 milhões até 2026, apoia 120 projetos e concede bolsas para 10 mil meninas, com a meta de que pelo menos 40% das bolsas sejam destinadas a meninas negras e indígenas.
- Bolsas para Mulheres Negras, Ciganas, Quilombolas e Indígenas: Já contemplou 86 pesquisadoras com bolsas de doutorado-sanduíche e pós-doutorado, promovendo a inclusão de grupos historicamente sub-representados na ciência.
- Programa Mulheres Inovadoras: Na sua 5ª edição em 2024, apoia 30 startups lideradas por mulheres em todo o país, com premiações de até R$ 100 mil.
- Programa Centelha: Das 1.566 startups apoiadas, 34,17% têm mulheres como proponentes, demonstrando um crescente protagonismo feminino no empreendedorismo inovador.
- Conecta Startup Brasil: 43% dos membros das startups apoiadas são mulheres, e 7 startups são formadas exclusivamente por mulheres.
- Capacitação em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs): Garante a reserva de 30% das vagas para mulheres na Residência em Microeletrônica (CI Inovador), com 200 pessoas capacitadas, e formou 378 profissionais na Residência em TIC 09.
TECNOLOGIA
CTI Renato Archer amplia rede de laboratórios abertos com nova estrutura de pesquisa
Referência nacional em áreas como inteligência artificial, microeletrônica, nanotecnologia e inovação industrial, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI Renato Archer), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), inaugurou, nesta segunda-feira (18), o seu Laboratório Aberto de Caracterização de Materiais (LAmat). A apresentação do novo espaço que fortalece a infraestrutura científica e tecnológica do país contou com a presença da ministra do MCTI, Luciana Santos.
O LAmat passa a integrar o conjunto de laboratórios abertos do CTI Renato Archer e foi criado para apoiar pesquisas em materiais avançados, nanotecnologia, micro e nanoeletrônica, fotônica e energia. A iniciativa recebeu cerca de R$ 5,2 milhões em investimentos da Finep e do MCTI para aquisição de equipamentos e adequação da infraestrutura.
O laboratório permitirá análises químicas, ópticas, térmicas e eletrônicas de materiais e apoiará pesquisas em áreas estratégicas, como saúde avançada, tecnologias quânticas, convergência tecnológica e energia. Entre as aplicações previstas, estão estudos sobre células solares de alto rendimento, biossensores para doenças tropicais negligenciadas, dispositivos implantáveis e sensores para a agroindústria.
Durante a visita, a ministra destacou o papel do centro na conexão entre ciência, indústria e desenvolvimento nacional. “O Renato Archer nunca foi apenas um centro de pesquisa. Ele é uma ponte entre ciência e indústria, entre universidade e setor produtivo, entre conhecimento e desenvolvimento nacional”, afirmou.
Luciana Santos também ressaltou os investimentos realizados pelo governo federal na unidade. Desde 2023, já foram assinados R$ 36,8 milhões em contratos com o CTI Renato Archer, além de uma nova encomenda tecnológica de R$ 10,1 milhões ainda em análise, por meio da Finep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Laboratório aberto
A diretora institucional do CTI Renato Archer, Juliana Kelmy Macário Barboza Daguano, destacou que o novo laboratório fortalece o modelo colaborativo adotado pela instituição.
“Os laboratórios abertos contribuem para o avanço científico e tecnológico por meio do acesso a recursos especializados, promovendo a colaboração entre academia, empresas e instituições públicas”, afirmou.
Além do LAmat, o CTI Renato Archer mantém outros laboratórios abertos voltados à micro e nanofabricação, impressão 3D, integração de sistemas e imageamento em micro-nanoeletrônica, ampliando o acesso compartilhado à infraestrutura científica de alta complexidade.
Com mais de quatro décadas de atuação, o CTI Renato Archer tem papel importante no desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o Brasil. A instituição participou de iniciativas como a construção da ICP-Brasil, sistema que sustenta a certificação digital no país, e contribuiu para o desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital. Além disso, atua em pesquisas voltadas à segurança cibernética, impressão 3D aplicada à saúde, biofabricação, robótica e inteligência artificial.
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