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Startups brasileiras ganham força no cenário internacional com missões de internacionalização
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Internacionalização impulsiona o crescimento das startups brasileiras
A participação em missões de internacionalização tem se consolidado como um divisor de águas para o desenvolvimento das startups brasileiras. Ao integrarem eventos globais de inovação, essas empresas conquistam não apenas visibilidade internacional, mas também acesso a investidores, novos mercados e redes estratégicas essenciais para sua evolução. Nesse contexto, a Missão Web Summit Rio 2025, organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pretende fortalecer ainda mais a presença do Brasil no ecossistema global de tecnologia.
Atualmente, o Brasil abriga mais de 19 mil startups, conforme dados do Observatório Sebrae Startups. A maioria ainda se encontra em fases iniciais: 23,34% em fase de ideação e 33,65% em validação. Outras 26,76% já avançaram para a fase de tração, caracterizada pelo crescimento e amadurecimento do negócio. A partir dessa etapa, as startups bem-sucedidas ingressam na fase de crescimento e escala, focando na ampliação da base de clientes e expansão de mercado — segmento que representa 16,2% das startups brasileiras.
A presença em eventos internacionais é crucial nessa trajetória. “A experiência com interlocutores internacionais – como ocorre no Web Summit – permite que essas empresas testem suas soluções em outros contextos, construam parcerias estratégicas e estruturem seus modelos de negócios com foco em escalabilidade”, destaca Maria Paula Velloso, gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil.
Resultados expressivos em eventos internacionais
Um estudo do Observatório Sebrae Startups, realizado com 84 startups brasileiras que participaram do Web Summit Lisboa em 2022 e 2023, revelou impactos significativos: 46% dessas empresas abriram filiais internacionais em países como Portugal, Estados Unidos e Países Baixos, enquanto 72,3% conquistaram novos clientes após as missões. Além disso, 84,6% das startups atribuíram essas conquistas diretamente à participação nos eventos, demonstrando a importância estratégica da exposição global.
O levantamento também aponta que mais de R$ 9 milhões foram faturados a partir de negócios iniciados no Web Summit, com R$ 1,4 milhão em receitas recorrentes. Para muitas empresas, a missão foi o ponto de partida para um novo ciclo de expansão: 74% delas decidiram investir com recursos próprios em eventos internacionais após a experiência. “Missões como essa não apenas abrem portas para o mercado internacional, mas também transformam o mindset dos empreendedores, que passam a ver o mundo como mercado-alvo e se preparam para competir globalmente”, ressalta Maria Paula Velloso.
Missão Web Summit Rio 2025: vitrine para startups brasileiras
A Missão Web Summit Rio 2025 reunirá 123 startups brasileiras entre os dias 27 e 30 de abril, durante o maior evento de tecnologia da América Latina. O Web Summit Rio, que ocorrerá na capital carioca, espera receber cerca de 34 mil participantes de mais de 100 países.
“Organizamos essa missão para conectar o talento brasileiro ao que há de mais avançado em tecnologia e investimento no mundo. É uma ação estratégica para mostrar que o Brasil tem força e capacidade para competir globalmente com soluções inovadoras”, afirma Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.
As startups selecionadas atuam em diversos segmentos, como saúde, tecnologia da informação, agronegócio, educação, alimentos e bebidas, design, turismo, cosméticos, marketing e desenvolvimento humano. Elas terão a oportunidade de apresentar seus projetos a investidores internacionais, participar de mentorias, acessar conteúdos estratégicos e integrar redes globais de inovação.
Dentro da programação, 20 empresas também participarão do programa Exporta Mais Brasil: Edição Inovação, que ocorrerá simultaneamente ao Web Summit Rio, focando em conexões com aceleradoras e fundos de investimento de sete países.
Um dos diferenciais desta edição é o compromisso com a diversidade e inclusão: 35 startups são originárias das regiões Norte e Nordeste, 58 são lideradas por mulheres e 25 têm origem em favelas ou comunidades urbanas. “O grupo reflete o potencial inovador que emerge de diferentes realidades brasileiras”, enfatiza Maria Paula Velloso.
Destaques brasileiros: inovação em saúde mental
A startup paulista BeHeart, liderada por Roberta Moreira Lima, é uma das selecionadas para a missão. Especializada em soluções para a saúde mental e emocional, a empresa utiliza inteligência artificial e biofeedback acessível para promover o desenvolvimento humano.
“Na BeHeart, usamos a tecnologia para conectar as pessoas com a inteligência do próprio coração”, explica Roberta. O aplicativo da startup mede os ritmos cardíacos usando apenas a câmera do celular e, em tempo real, mostra a transição do estresse para um estado de equilíbrio. A inteligência artificial, chamada Heart, atua como uma mentora digital, oferecendo dicas personalizadas de bem-estar, enquanto a gamificação torna o autocuidado mais acessível e envolvente.
“Quando o coração e o cérebro estão em sincronia, em um estado chamado coerência cardíaca, experimentamos benefícios como a redução do estresse, ansiedade e depressão. Nossos estudos indicam uma redução de até 56% na autopercepção de depressão e 46% na de ansiedade em apenas seis semanas de uso do BeHeart”, comemora Roberta Lima.
O foco inicial da BeHeart é o mercado corporativo, apoiando empresas na promoção do bem-estar dos colaboradores e no atendimento às normas de segurança e saúde no trabalho (NR-1). A expectativa com a participação no Web Summit é alta: buscar novos parceiros e investidores alinhados com o propósito da empresa, validar o app com provas de conceito e expandir a atuação internacional.
Além disso, a BeHeart representa um avanço na diversidade do ecossistema de inovação. Roberta, finalista do prêmio Women in Tech do Insper e reconhecida pelo Aurora Tech Award como uma das 15 fundadoras mais influentes do mundo, celebra a crescente liderança feminina no setor de startups.
Educação corporativa com tecnologia de ponta
Outra startup brasileira de destaque é a cearense Eduvem, especializada em educação corporativa personalizada por meio de soluções tecnológicas. A empresa, com sede no Brasil e presença em Portugal, oferece uma plataforma LMS (Learning Management System) que permite a criação de universidades corporativas com recursos de inteligência artificial e avatares customizados.
“Somos uma startup de educação corporativa e já estamos no Brasil e em Portugal. A empresa tem pouco mais de cinco anos, e nossa parceria com a ApexBrasil já dura mais de três”, relata Tiago Faria, fundador e CTO da Eduvem.
A trajetória da Eduvem no Web Summit evidencia sua evolução: participou como Alpha em 2023, como Beta em 2024 e, agora, em 2025, integrará a missão na categoria Growth. A flexibilidade da plataforma permite atender diversos setores, de educação e saúde à construção civil. Entre os principais cases, destaca-se o Sebrae Flix, uma plataforma de empreendedorismo inspirada na Netflix. A empresa também já prestou serviços para grandes marcas como Coca-Cola, IBM e Vetanco.
Com uma base técnica 100% em inglês e foco em tecnologia multilíngue, a startup planeja expandir ainda em 2025 para o mercado francês e, posteriormente, para Espanha e Reino Unido, além da América Latina. “Criamos a empresa para ser multinacional desde o início. Em 2023, iniciamos nossa expansão para Portugal e, este ano, vamos consolidar essa presença”, afirma Tiago.
Eventos internacionais têm sido estratégicos para a Eduvem. “O apoio da ApexBrasil e os contatos feitos em missões internacionais são fundamentais para impulsionar nossos projetos”, conclui o fundador.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.
As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.
O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.
Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.
A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.
Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.
Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.
O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.
O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.
Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.
A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.
Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.
A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.
A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.
Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.
A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.
Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.
A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.
O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.
Fonte: Pensar Agro



