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Boletim Focus: mercado reduz previsão de inflação para 2025 pela terceira semana seguida

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Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central, com base em levantamento junto a mais de 100 instituições financeiras. Apesar da redução, a estimativa ainda permanece acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Inflação: expectativa para 2025 recua, mas segue acima da meta

De acordo com o relatório, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 caiu de 5,55% para 5,53%. Apesar da leve redução, o número ainda supera o limite máximo da meta de inflação, fixado em 4,5%.

Para os anos seguintes, as previsões são:

  • 2026: expectativa estável em 4,51%;
  • 2027: mantida em 4%;
  • 2028: leve alta de 3,78% para 3,80%.

Com a implementação do sistema de metas contínuas a partir de 2025, o objetivo do Banco Central é manter a inflação em 3% ao ano, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O BC calibra a taxa básica de juros (Selic) para tentar manter a inflação dentro dessa faixa, considerando que os efeitos das mudanças nos juros levam de seis a dezoito meses para se manifestarem plenamente na economia.

Risco de novo descumprimento da meta em 2024

A autoridade monetária já admite a possibilidade de a meta de inflação de 2024 ser novamente descumprida, caso o índice permaneça por seis meses seguidos acima do teto de 4,5%. Isso obrigaria o Banco Central a enviar uma nova carta pública ao Ministério da Fazenda, justificando o desvio.

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Esse procedimento já ocorreu em janeiro deste ano, quando o presidente do BC, Gabriel Galípolo, atribuiu o estouro da meta a fatores como a intensa atividade econômica, a desvalorização do real e eventos climáticos extremos.

Por que a inflação importa para a população?

A inflação elevada afeta diretamente o poder de compra da população, principalmente das camadas com menor renda. Quando os preços sobem e os salários não acompanham esse crescimento, o consumo das famílias é prejudicado, impactando a economia como um todo.

PIB: projeção de crescimento permanece estável

A expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 continua em 2%, segundo o Boletim Focus. O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve como principal termômetro da atividade econômica.

Para 2026, a previsão de crescimento foi mantida em 1,70%.

Taxa de juros: mercado espera redução em 2025

A estimativa para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2025 caiu de 15% para 14,75% ao ano. Para os anos seguintes, as previsões foram mantidas:

  • 2026: 12,50% ao ano;
  • 2027: 10,50% ao ano.
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Em março, o Banco Central elevou a Selic pela quinta vez consecutiva, para 14,25% ao ano, e sinalizou que pode haver novo aumento em maio.

Outras projeções econômicas

O Boletim Focus também apresentou as seguintes estimativas:

  • Dólar
    • Fim de 2025: de R$ 5,90 para R$ 5,86;
    • Fim de 2026: de R$ 5,95 para R$ 5,91.
    • Balança comercial:
      • 2025: superávit mantido em US$ 75 bilhões;
      • 2026: recuo de US$ 79,4 bilhões para US$ 78,6 bilhões.
    • Investimento estrangeiro direto:
      • 2025: permanece em US$ 70 bilhões;
      • 2026: também mantido em US$ 70 bilhões.
Conclusão

As projeções do Boletim Focus indicam um cenário de ajustes graduais na economia brasileira, com redução nas expectativas inflacionárias e estabilidade em diversos indicadores. No entanto, os dados mostram que ainda há desafios significativos para o cumprimento das metas de inflação e para a consolidação de um ambiente econômico mais estável nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

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As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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