SAÚDE
Em Nova York, vice-ministra da Saúde do Brasil defende saúde como elemento central da agenda climática
SAÚDE
Em Nova York (EUA), onde participa da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a vice-ministra da Saúde do Brasil, Mariângela Simão, ressaltou o Plano de Ação de Saúde de Belém como uma iniciativa estratégica para integrar as agendas climática e de saúde. Desenvolvido pelo Brasil, o Plano é a principal proposta do país para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), que acontecerá Belém (PA), em novembro.
“A discussão sobre saúde no âmbito internacional não deve começar pelo financiamento, mas pela construção de um plano sólido, simples e factível, que facilite a adesão e aprovação pelos países”, afirmou Mariângela no evento Tackling Future Threats in an Era of Multipolarity, nesta terça-feira (23).
Com o tema “Enfrentando ameaças futuras em uma era de multipolaridade: liderança colaborativa para segurança, emergências em saúde, clima e finanças”, o debate ressaltou a necessidade de reconstruir e reforçar o multilateralismo, mobilizar investimentos e fortalecer a cooperação internacional para lidar com desafios globais que ultrapassam fronteiras.
O encontro teve como objetivos a troca de experiências de cooperação entre países, a identificação de soluções conjuntas para crises emergentes – como as mudanças climáticas e as pandemias – e o fortalecimento da solidariedade internacional em um cenário geopolítico cada vez mais complexo. O evento contou com a presença de ex-chefes de Estado, representantes de organismos multilaterais, setor privado, filantropia, academia e sociedade civil.
Ao tratar dos desafios que o tema impõe, Mariângela informou que o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, não pôde estar presente em razão das restrições impostas ao seu visto pelo governo americano. “Essa situação evidencia os desafios políticos e logísticos que ainda permeiam as discussões internacionais sobre saúde”, ressaltou.
O Plano de Ação de Saúde de Belém foi elaborado em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Coalizão de Baku, formada por Brasil, Zimbábue, Egito, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, além de contar com o apoio de parceiros, como a Fundação Gates, Wellcome Trust e Rockefeller Foundation. “O plano busca orientar como o setor de saúde deve reagir às emergências climáticas e suas consequências. Ele se estrutura em três eixos, com destaque para a análise e o monitoramento de dados como linha de ação fundamental”, explicou.
Um dos próximos passos será a apresentação da proposta nas Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – Conferência das Partes (COP30, COP31 e COP32), onde ganha força o movimento para que a saúde tenha um dia específico de debates.
“Queremos que a experiência de Belém seja compartilhada e inspire ações globais, consolidando a saúde como elemento central da agenda climática”, concluiu Mariângela Simão.
Regina Xeyla
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde lança obra que celebra os 15 anos da Sesai e resgata a trajetória da saúde indígena no Brasil
A saúde indígena brasileira ganhou um novo registro histórico nesta quarta-feira, 1º de julho, com o lançamento do livro “15 anos de História e Luta: Memórias, Caminhos e Futuro“, obra que celebra a trajetória da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. O evento, realizado no Auditório Emílio Ribas, em Brasília, reuniu lideranças indígenas, autoridades e parceiros que acompanharam a consolidação desta política pública voltada aos povos originários.
Mais do que um registro cronológico, a publicação apresenta a criação da Sesai como um marco na consolidação da responsabilidade do Estado em garantir atenção integral, universal e equitativa. A obra revisita a implantação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Pnaspi), destacando um modelo baseado no diálogo intercultural e na participação ativa dos indígenas.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o livro “preserva a memória de uma conquista participativa e reafirma o compromisso do governo do Brasil com a saúde dos povos indígenas”. Padilha ressalta, em artigo publicado na obra, a necessidade de um SasiSUS “cada vez mais fortalecido, participativo e capaz de levar cuidado de qualidade a todos os territórios”.
Estrutura e avanços no chão da aldeia
Ao longo de uma década e meia, a Sesai estruturou-se em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), que atuam como unidades gestoras descentralizadas. Além disso, fortaleceu as equipes multidisciplinares, as Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e as Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casai), respeitando as especificidades culturais, linguísticas e territoriais dos povos indígenas.
Durante o lançamento do livro, a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, destacou que a obra registra a história de quem enfrenta “rios, florestas, estradas e longas distâncias para garantir cuidado, proteção e dignidade”: “Cada página desta obra é um testemunho de que a saúde indígena é uma política de Estado construída com diálogo, respeito e reconhecimento da diversidade dos povos que formam o Brasil”.
Entre os avanços recentes, o livro cita o programa Agora Tem Especialistas, a expansão da telessaúde e investimentos via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Outro pilar estratégico é a atuação junto aos povos isolados e de recente contato, regida pelo princípio do não-contato para evitar a introdução de doenças devastadoras e proteger a autodeterminação desses grupos.
Desafios emergentes e o olhar para o amanhã
A publicação não foge dos temas críticos, como a resposta à emergência sanitária no território Yanomami, com a criação do Centro de Operação de Emergências (COE) Yanomami, onde o reforço das equipes multiprofissionais foram fundamentais para mitigar crises de desassistência. Olhando para frente, a obra aponta os impactos das mudanças climáticas como um dos grandes desafios, exigindo uma “saúde climática” que prepare os territórios para fenômenos extremos e o ressurgimento de doenças.
A integração entre a biomedicina e as medicinas indígenas aparece como caminho inegociável para o futuro. Iniciativas como a Semana Nacional da Saúde Bucal e projetos do Proadi-SUS para o manejo de condições crônicas, como diabetes e hipertensão, já mostram essa evolução na ponta.
Para as lideranças que estiveram na linha de frente desde o início, a autonomia é a palavra de ordem. Megaron Txucarramãe, liderança da TI Capoto Jarina, expressou seu desejo de que a administração indígena nos distritos continue e se fortaleça. “O futuro para o indígena é manter a Sesai com administração indígena nos distritos. Espero que continue do jeito que está e melhorando cada vez mais. Os indígenas estão fazendo curso de medicina do branco e eles vão começar a ocupar e assumir a saúde indígena”, concluiu.
A Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde conta com gestores indígenas na liderança, incluindo a secretária adjunta de Saúde Indígena, Putira Sacuena; e a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. “Este livro aponta para um futuro em que a saúde indígena continue sendo fortalecida com participação social, valorização dos saberes tradicionais, ampliação do acesso à atenção especializada, fortalecimento do saneamento e formação de cada vez mais profissionais indígenas ocupando espaços de gestão e decisão”, finaliza Lucinha.
Leidiane Souza
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde


