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IGP-10 encerra 2025 com leve alta em dezembro, mas acumula deflação no ano, aponta FGV
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O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou variação positiva de 0,04% em dezembro, após alta de 0,18% em novembro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (15) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar do leve avanço no mês, o indicador encerrou 2025 com deflação acumulada de 0,76% em 12 meses, repetindo o comportamento de 2023, quando a queda foi de 3,56%.
A leitura veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que previa alta de 0,05%, conforme pesquisa da Reuters.
Commodities e safra pressionam preços no atacado
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que representa 60% do IGP-10 e reflete a variação de preços no atacado, caiu 0,03% em dezembro, após ter subido 0,15% em novembro. No acumulado de 12 meses, o IPA-10 registrou deflação de 2,87%, influenciado principalmente pela queda nos preços de produtos agropecuários e industriais.
Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o resultado reflete o impacto de boas safras agrícolas e a queda das commodities internacionais, fatores que reduziram o custo dos alimentos e dos produtos processados. “Esses movimentos levaram a indústria de transformação a variar apenas 0,7%, bem abaixo dos 5,28% observados em 2024”, destacou.
Consumo das famílias sustenta avanço moderado
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), responsável por 30% da composição do IGP-10, registrou alta de 0,21% em dezembro, repetindo o resultado de novembro. No acumulado de 2025, o indicador avançou 4,01%, influenciado principalmente pelos gastos com habitação, devido à volatilidade das tarifas de energia elétrica residencial.
“Sem a desaceleração dos preços de alimentos e transportes observada no segundo semestre, o IPC poderia ter encerrado o ano com variação acima da registrada em 2024”, explicou Dias.
Custo da construção civil mantém tendência de alta
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) subiu 0,22% em dezembro, após elevação de 0,30% em novembro. No acumulado de 12 meses, o INCC-10 avançou 6,18%, refletindo os reajustes de materiais e mão de obra do setor.
Metodologia do índice
O IGP-10 mede a variação de preços em três segmentos — produtor, consumidor e construção civil — entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência. O indicador é amplamente utilizado como referência para contratos de aluguel, reajustes de tarifas e análises econômicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Alta do pão francês acelera modernização da cadeia do trigo no Brasil com uso de tecnologia e agricultura de precisão
A alta nos preços do pão francês e de outros derivados da farinha vem ampliando a pressão sobre a cadeia produtiva do trigo no Brasil e acelerando o avanço da tecnologia no setor. Diante da redução da safra nacional, maior dependência de importações e aumento da volatilidade no mercado internacional, produtores, moinhos e indústrias intensificam investimentos em automação, inteligência de dados e agricultura de precisão para reduzir perdas e preservar competitividade.
Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo deve recuar 19% até o final de 2026, atingindo cerca de 6,3 milhões de toneladas.
A retração ocorre principalmente devido à redução de 12,5% na área plantada do cereal. Enquanto isso, o consumo interno segue elevado, entre 12 e 13 milhões de toneladas anuais, aumentando a necessidade de importações para aproximadamente 7 milhões de toneladas — o maior volume registrado desde 2013.
Dependência externa aumenta pressão sobre preços do trigo e da farinha
O cenário de menor oferta interna e maior exposição ao mercado externo eleva a sensibilidade da cadeia do trigo às oscilações cambiais, custos logísticos e políticas comerciais internacionais.
O impacto já começa a chegar ao consumidor final, especialmente em produtos como:
- Pão francês;
- Massas;
- Biscoitos;
- Produtos panificados em geral.
Segundo o economista Adenauer Rockenmeyer, delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo, a volatilidade afeta todas as etapas da cadeia produtiva.
“Produtores enfrentam margens comprimidas, indústrias lidam com custos imprevisíveis e moinhos recorrem a contratos futuros para reduzir riscos. A dependência de importações deixa o Brasil mais vulnerável às oscilações cambiais e às políticas comerciais de países fornecedores, como a Argentina”, afirma.
Tecnologia ganha papel estratégico na cadeia do trigo
Diante desse cenário, especialistas defendem que a modernização tecnológica será decisiva para ampliar eficiência, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade operacional.
A automação de análises laboratoriais, o uso de sensores inteligentes e a agricultura de precisão vêm deixando de ser apenas diferenciais competitivos e passam a ocupar posição estratégica dentro da cadeia do trigo.
A adoção de sistemas baseados em dados permite decisões mais rápidas e precisas, reduzindo falhas operacionais e melhorando o controle de qualidade da matéria-prima e dos produtos finais.
Entre as tecnologias utilizadas pelo setor estão equipamentos como:
- Mixolab;
- SpectraStar XT-F;
- AgriCheck;
- Rheo F4.
As soluções são fornecidas por empresas como a Pensalab e permitem monitorar parâmetros fundamentais da produção, incluindo:
- Teor de umidade;
- Estabilidade da massa;
- Propriedades reológicas;
- Composição química;
- Atividade enzimática.
Controle de qualidade ajuda indústria a reduzir perdas
Segundo especialistas, o uso dessas ferramentas permite prever com maior precisão o comportamento do trigo e da farinha durante os processos industriais.
Na prática, isso contribui para:
- Ajuste mais eficiente das formulações;
- Redução de retrabalho;
- Menores perdas produtivas;
- Padronização entre lotes;
- Melhor aproveitamento de insumos.
De acordo com Rafael Soares, diretor de produto e mercado da Pensalab, a inteligência de dados passou a ser essencial em um mercado pressionado por custos elevados e oferta limitada.
“Mais do que medir qualidade, essas tecnologias ajudam a antecipar desvios e permitem ações preventivas. A capacidade de tomar decisões rápidas e precisas se torna determinante para preservar margens e garantir regularidade ao consumidor”, explica.
Modernização busca tornar cadeia mais resiliente
Além da eficiência operacional, especialistas apontam que a transformação tecnológica pode ajudar o setor de trigo a construir uma estrutura produtiva menos vulnerável às crises externas.
Mesmo com a recente valorização do real frente ao dólar, fatores como clima, frete internacional, custos logísticos e decisões comerciais de países exportadores seguem influenciando diretamente o mercado brasileiro.
Para o setor, a estratégia não deve se limitar apenas à recomposição de estoques ou ao repasse de preços ao consumidor.
“A indústria brasileira do trigo pode transformar o atual cenário de retração em um ciclo de reconstrução baseado em produtividade, controle e autonomia”, afirma Rafael Soares.
Investimentos e financiamento serão decisivos para transformação do setor
Apesar dos ganhos potenciais, a modernização tecnológica da cadeia do trigo exige investimentos robustos em infraestrutura, automação e inteligência analítica.
Segundo Adenauer Rockenmeyer, a busca por novas fontes de financiamento será fundamental para acelerar essa transformação.
Além das linhas tradicionais de crédito rural, o setor deverá ampliar a captação de recursos via mercado de capitais e fundos de investimento, movimento que ganha espaço em diferentes segmentos do agronegócio brasileiro.
Em um ambiente de juros elevados e maior competitividade global, especialistas avaliam que a tecnologia será decisiva não apenas para ampliar a competitividade da cadeia do trigo, mas também para fortalecer a sustentabilidade e a adaptação do setor aos desafios climáticos e econômicos dos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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