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Mercado do milho mantém cautela no Brasil e no exterior em meio à colheita e incertezas globais
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Cenário interno: negociações lentas e preços estáveis nas principais regiões produtoras
O mercado brasileiro de milho segue em ritmo contido, com pouca liquidez e negociações pontuais, segundo levantamento da TF Agroeconômica. A colheita da safra 2025/26 avança nas regiões Sul e Centro-Oeste, enquanto produtores e compradores mantêm postura cautelosa diante das variações cambiais e dos custos logísticos.
No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 54,00 e R$ 72,00 por saca, com média estadual de R$ 58,81, queda de 0,89% em relação à semana anterior. A colheita já alcança 68% da área plantada, beneficiada por boas produtividades, embora áreas mais tardias ainda enfrentem restrições hídricas e temperaturas elevadas. Há também monitoramento de focos localizados de cigarrinha-do-milho, que preocupa produtores.
Em Santa Catarina, o mercado permanece praticamente travado. As pedidas giram em torno de R$ 75,00 por saca, enquanto as ofertas estão próximas de R$ 65,00. O ritmo da colheita é de 22% da área, abaixo da média histórica de 35%. O impasse entre compradores e vendedores é sustentado pela oferta restrita e pelo aumento dos custos logísticos internos.
Já no Paraná, o preço médio gira em torno de R$ 70,00, enquanto compradores ofertam cerca de R$ 60,00 CIF. A colheita da primeira safra atinge 25% da área, e o plantio da segunda chega a 30%, ambos abaixo da média para o período. O estado mantém expectativa positiva de produção, impulsionada pela demanda das indústrias de proteína animal e das usinas de etanol de milho.
No Mato Grosso do Sul, as cotações estão entre R$ 53,00 e R$ 55,00 por saca, com leve recuperação após recentes quedas. O plantio da safrinha atingiu 19% da área total, ainda abaixo da média histórica de 31,6%, mas favorecido pelo retorno das chuvas.
Bolsa de Chicago: milho opera com estabilidade e investidores atentos às exportações dos EUA
No cenário internacional, os contratos futuros de milho registraram variações discretas na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta terça-feira (24). Por volta das 10h05 (horário de Brasília), o vencimento março/26 era cotado a US$ 4,28 por bushel (alta de 1 ponto), enquanto maio/26 e julho/26 apresentavam leves quedas, sendo negociados a US$ 4,39 e US$ 4,48, respectivamente.
O desempenho refletiu a influência negativa da soja, que recuou após um relatório fraco de exportações, aumentando as dúvidas sobre a demanda global pelos grãos norte-americanos. Apesar disso, os dados do milho mostraram força, com exportações semanais de 2 milhões de toneladas, acima das 1,5 milhão da semana anterior e das 1,17 milhão registradas há um ano.
Segundo Tony Dreibus, analista da Successful Farming, investidores permanecem cautelosos diante da possibilidade de que países como a China revisem compromissos de compra de milho, soja e trigo dos Estados Unidos, após a decisão da Suprema Corte norte-americana que considerou inconstitucionais as tarifas impostas durante o governo Donald Trump.
Mercado futuro no Brasil: dólar pressiona B3 e limita avanço das cotações
Na B3, o milho iniciou a semana com leve recuo nos principais contratos futuros, acompanhando a pressão do dólar e a falta de impulso em Chicago. De acordo com a TF Agroeconômica, o contrato março/26 fechou a R$ 71,32, com baixa diária de R$ 0,68. O maio/26 encerrou a R$ 70,85, recuando R$ 0,58, enquanto o julho/26 caiu R$ 0,15, fechando a R$ 68,50 por saca.
No mercado físico, o Cepea aponta que os preços se mantêm firmes, sustentados pela retração dos produtores, que priorizam as atividades de campo. Do lado da demanda, o custo logístico elevado e o foco nas entregas de soja reduzem o ritmo das negociações.
Nos portos, a liquidez segue baixa, embora os embarques de fevereiro superem os volumes observados no mesmo período de 2025. As chuvas no Centro-Sul favorecem o avanço do plantio da segunda safra, que já chega a 50% da área prevista, enquanto a Argentina também registra boas condições climáticas para o desenvolvimento de suas lavouras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Custos da safra 2026/27 disparam em Mato Grosso e pressionam rentabilidade de soja, milho e algodão
Os custos de produção das principais culturas agrícolas de Mato Grosso seguem em trajetória de alta para a safra 2026/27, ampliando a preocupação dos produtores rurais com a rentabilidade da próxima temporada. Soja, milho e algodão registraram avanço nas despesas em abril, pressionados principalmente pela valorização dos fertilizantes, defensivos agrícolas e pelas incertezas do cenário internacional.
Os dados constam no boletim divulgado pelo Imea e pelo Senar MT, por meio do Projeto CPA-MT – Custo de Produção Agropecuária.
Segundo análise do boletim, os movimentos recentes do mercado internacional têm ampliado a volatilidade dos preços dos insumos importados, fator que vem impactando diretamente o planejamento financeiro do produtor mato-grossense.
Soja tem aumento de custos puxado por fertilizantes e defensivos
A soja apresentou alta de 1,88% no custeio projetado para a safra 2026/27 em comparação com março deste ano.
De acordo com o levantamento do CPA-MT, o custo estimado da cultura alcançou R$ 4.286,89 por hectare em abril.
O principal fator de pressão veio dos fertilizantes, cujas despesas registraram forte elevação, além do avanço nos custos com defensivos agrícolas, que subiram 2,17% no período.
O relatório destaca que a comercialização e aquisição de insumos para a próxima safra ainda estão em andamento, mantendo o custo de produção como um dos principais pontos de atenção do setor agrícola neste momento.
Conforme aponta o boletim do Imea e Senar MT, a volatilidade internacional segue influenciando diretamente a formação de preços no mercado brasileiro de insumos.
Milho lidera alta dos custos em Mato Grosso
Entre as principais culturas do estado, o milho apresentou o maior avanço mensal nos custos de produção.
Segundo o CPA-MT, o custeio da safra 2026/27 subiu 2,32% em abril frente ao mês anterior.
A elevação foi impulsionada principalmente pela alta de 4,30% nos fertilizantes e corretivos, além do aumento de 2,46% nos defensivos agrícolas. Também houve crescimento nas despesas com sementes.
O boletim ressalta que o ambiente internacional mais instável elevou a volatilidade nos mercados e impactou diretamente os preços futuros dos insumos importados utilizados no cultivo do cereal.
Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) do milho avançou 1,72% no comparativo mensal, enquanto o Custo Total (CT) apresentou incremento de 1,25%.
Algodão exige preço mínimo acima de R$ 127 por arroba
O algodão também registrou aumento expressivo nos custos para a safra 2026/27 em Mato Grosso.
Segundo os dados do CPA-MT, o custeio da cultura foi estimado em R$ 10.642,28 por hectare em abril, avanço de 1,05% em relação ao mês anterior.
O relatório aponta que a alta foi puxada principalmente pelos custos com macronutrientes, influenciados pelas tensões do mercado internacional.
Com isso, o Custo Operacional Efetivo da pluma ficou projetado em R$ 15.227,56 por hectare, crescimento de 0,55% no mês.
O dado que mais chamou atenção do mercado foi o preço mínimo necessário para cobrir os custos operacionais da produção.
Segundo o boletim divulgado pelo Imea e Senar MT, considerando a produtividade média estimada em 119,82 arrobas por hectare de pluma, o produtor precisará comercializar o algodão a pelo menos R$ 127,09 por arroba apenas para cobrir o custo operacional efetivo.
Cenário internacional amplia pressão sobre o agro brasileiro
A análise do Projeto CPA-MT mostra que as tensões geopolíticas, oscilações cambiais e incertezas econômicas globais continuam impactando diretamente os custos do agronegócio brasileiro.
A dependência de insumos importados, especialmente fertilizantes e defensivos agrícolas, mantém o produtor rural mais exposto à volatilidade internacional.
Além disso, o cenário de juros elevados e margens mais apertadas vem exigindo maior cautela na aquisição de insumos e no planejamento da safra 2026/27.
Produtor rural monitora custos e rentabilidade da próxima safra
Com o avanço dos custos de produção em Mato Grosso, produtores intensificam o acompanhamento do mercado de commodities, câmbio e preços internacionais dos insumos agrícolas.
O cenário reforça a necessidade de estratégias mais eficientes de gestão, comercialização e proteção de margem para reduzir os riscos da próxima temporada agrícola.
As informações foram divulgadas no boletim do Projeto CPA-MT, elaborado pelo Imea e Senar MT.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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