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Arroz no Rio Grande do Sul: setor defende parcelamento do custeio para reduzir pressão de oferta e sustentar preços

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Setor arrozeiro busca medidas para enfrentar risco de queda nos preços

A cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul recebeu um sinal positivo em meio à preocupação com uma possível crise de preços prevista para 2026. De acordo com nota informativa divulgada pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), avançaram as discussões sobre a possibilidade de parcelamento do custeio do arroz em até oito parcelas.

A medida pode ajudar a reduzir a pressão de venda no período pós-colheita, contribuindo para sustentar as cotações do cereal no mercado durante o primeiro semestre do próximo ano.

Medida busca aliviar fluxo financeiro do produtor

Segundo a Farsul e a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o setor já havia estruturado sete ações estratégicas para enfrentar de forma antecipada o cenário considerado de forte pressão sobre os preços do arroz.

Entre as principais iniciativas discutidas estão:

  • recomendação de redução da área plantada;
  • criação de mecanismos de comercialização;
  • estímulo às exportações por meio de CDO;
  • proposta de redução temporária do ICMS;
  • alongamento dos custeios junto às instituições financeiras.

Até o momento, o ponto que apresentou maior avanço nas negociações foi justamente o relacionado ao crédito rural.

Governo sinaliza apoio ao parcelamento do custeio

Durante reunião com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o governo federal indicou posição favorável à possibilidade de parcelar o custeio do arroz em até oito parcelas.

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Na avaliação das entidades do setor, essa alternativa permitiria desconcentrar os pagamentos logo após a colheita, evitando que os produtores sejam obrigados a vender grandes volumes de arroz em um curto período de tempo.

Essa estratégia poderia reduzir a pressão de oferta no mercado e ajudar a evitar novas quedas nos preços pagos ao produtor.

Efeito esperado na comercialização do arroz

A proposta busca dar maior fôlego financeiro ao produtor em um momento considerado sensível para o mercado.

Segundo a análise da Farsul, a concentração de vencimentos financeiros logo após a colheita costuma forçar a comercialização imediata da produção. Esse movimento aumenta rapidamente a oferta no mercado e acaba pressionando os preços para baixo.

Com o parcelamento do custeio, a expectativa é permitir uma distribuição mais equilibrada das vendas ao longo do ano, reduzindo a necessidade de liquidação imediata da safra.

Aprovação depende do Conselho Monetário Nacional

Apesar do avanço nas negociações, a implementação da medida ainda depende de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Além disso, cada operação deverá passar por análise individual das instituições financeiras, já que esse tipo de mecanismo possui caráter autorizativo.

Segundo a Farsul, o governo federal já iniciou conversas com bancos e instituições financeiras, que sinalizaram positivamente para a possibilidade de adesão à proposta.

Outras medidas em discussão para o setor

Além da questão do crédito, o setor arrozeiro também discute outras iniciativas consideradas estratégicas para enfrentar o cenário de mercado.

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Entre elas estão:

  • maior transparência sobre o quadro de oferta e demanda para 2026;
  • recomendação de redução da área plantada na próxima safra;
  • desconcentração dos vencimentos de CPRs em 30 de março e 30 de abril junto a indústrias, revendas e empresas multinacionais;
  • ações de fiscalização para combater a comercialização de arroz fora do tipo especificado na embalagem.

As entidades também destacam a necessidade de melhorar a competitividade do arroz gaúcho frente à concorrência internacional, especialmente em relação ao produto vindo do Paraguai. Entre as propostas apresentadas ao governo estadual está a redução temporária do ICMS.

Impactos para o agronegócio gaúcho

Para os produtores, o possível alongamento do custeio representa mais do que um simples ajuste financeiro. A medida pode influenciar diretamente o ritmo de comercialização da safra e o comportamento dos preços no mercado.

A expectativa da Farsul é que a iniciativa contribua para dar maior sustentação às cotações do arroz no primeiro semestre de 2026, reduzindo os impactos de uma eventual crise de preços.

Mesmo assim, o setor aguarda a formalização das regras e a adesão do sistema financeiro. Até lá, as entidades seguem defendendo um pacote mais amplo de medidas para reduzir os impactos da volatilidade de mercado e preservar a viabilidade econômica da produção de arroz no Rio Grande do Sul.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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