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Brasil busca Ásia e Europa para reduzir dependência do mercado americano
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Diante do aumento do protecionismo nos Estados Unidos, o Brasil intensifica esforços para diversificar seus mercados de exportação, mirando especialmente países da Ásia e da Europa. Especialistas alertam, porém, que o sucesso nesse processo exige mais do que apenas fechar novos contratos.
Diversificação exige preparo técnico e compliance
Segundo Thiago Oliveira, CEO da Saygo, empresa brasileira especializada em comércio exterior e internacionalização, “não basta mudar o destino da mercadoria. Cada mercado tem exigências sanitárias, ambientais, documentais e culturais próprias. É necessário reestruturar portfólios, capacitar equipes e garantir que a empresa esteja apta a competir em ambientes regulatórios complexos.”
A Saygo registra aumento na demanda por consultoria técnica para entrada em países como Alemanha, Japão, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul e Índia, regiões com alto potencial de consumo para alimentos processados, proteínas animais, bebidas alcoólicas e produtos industrializados com rastreabilidade e valor agregado.
Certificações e padronização como pré-requisito
Para atuar nesses mercados, empresas brasileiras precisam atender a certificações rigorosas, como HACCP, ISO 22000 e diretrizes ESG, além de adequar logística e documentação aos padrões internacionais. Oliveira ressalta que “quem não se adaptar às exigências perde espaço. Margens estão diretamente ligadas à conformidade e ao posicionamento estratégico no país de destino.”
Dados do Comex Stat mostram que, em 2024, as exportações brasileiras para a União Europeia totalizaram US$ 56 bilhões, enquanto as vendas para o Sudeste Asiático ultrapassaram US$ 45 bilhões, ambos com crescimento superior a 12% em relação ao ano anterior.
Desafios contratuais e operacionais
Um dos principais entraves é a adaptação contratual. Diante de regras distintas de pagamento, prazos alfandegários e exigências fitossanitárias, muitas empresas precisam reformular cláusulas comerciais, negociar prazos e estruturar canais logísticos próprios. A Saygo utiliza ferramentas de análise preditiva para simular a entrada em mercados e mapear riscos operacionais antes da primeira exportação.
Além disso, a mudança no perfil do consumidor internacional torna a rastreabilidade obrigatória. Em países como Alemanha, Holanda e Japão, o selo de sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser requisito essencial para comercialização.
Consultoria e adaptação estratégica
Para apoiar empresas nesse processo, a Saygo oferece consultorias técnicas focadas em compliance regulatório, inteligência cambial, governança documental e sustentabilidade ambiental. A empresa também auxilia no redesenho de portfólio, adaptando embalagens e comunicação ao mercado-alvo.
Uma mudança de mentalidade no setor exportador
Para Oliveira, ampliar o alcance internacional das empresas brasileiras exige visão de longo prazo, método e preparo. “A diversificação não é apenas uma estratégia defensiva. É uma oportunidade de fortalecimento. O Brasil tem potencial para crescer além da dependência do mercado americano, mas isso requer planejamento e execução estratégica”, conclui o CEO.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Na Bahia Farm Show, Governo Federal anuncia R$ 14 bilhões para o programa Move Agricultura
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou nesta segunda-feira (8) da abertura da 20ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), integrando a comitiva do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
Durante a cerimônia, o vice-presidente Alckmin destacou a relevância do agronegócio para a economia brasileira e ressaltou a posição de liderança do país no mercado internacional. “Hoje estamos entre os três maiores produtores do mundo e somos o maior exportador de alimentos. No ano passado, o agro brasileiro exportou US$ 169 bilhões”, evidenciou.
Na ocasião, foram anunciadas medidas voltadas ao fortalecimento da produção agropecuária e da logística nacional. Entre elas, o programa Move Agricultura, que disponibilizará R$ 14 bilhões em crédito para a aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e demais implementos agrícolas, com taxa de juros de 9,52% ao ano.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também anunciou a disponibilização de R$ 21,1 bilhões para renovação da frota de transporte de cargas e passageiros. Desse total, R$ 19,1 bilhões serão destinados à aquisição de caminhões e R$ 2 bilhões à compra de ônibus, além de recursos voltados a implementos rodoviários. A expectativa é que os financiamentos contem com taxas em torno de 12% ao ano.
As iniciativas integram o conjunto de ações do Governo Federal voltadas ao aumento da competitividade, da produtividade e da eficiência logística do agronegócio brasileiro.
Em seu discurso, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reafirmou o compromisso do Governo Federal com o desenvolvimento do setor agropecuário e destacou os investimentos realizados nos últimos anos por meio do Plano Safra. “Estamos trabalhando para que os números do próximo Plano Safra sejam compatíveis com o crescimento e a pujança da nossa atividade”, disse.
O ministro André de Paula também ressaltou a credibilidade do sistema de defesa agropecuária brasileiro e os avanços alcançados pelo país na ampliação de mercados internacionais. “Não por acaso o Brasil exporta para mais de 170 países. Recentemente, a China reconheceu o status do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação em todo o território nacional”, destacou.
André de Paula enfatizou ainda a importância estratégica do Oeste baiano para a produção agropecuária nacional e ressaltou a trajetória de desenvolvimento da região.
“Trata-se de uma das maiores histórias de transformação produtiva do Brasil, construída pela força do povo nordestino, pela coragem de milhares de imigrantes vindos de outras regiões, especialmente do Sul do país, e pelo apoio decisivo da ciência, da tecnologia e da inovação”, declarou.
Durante a solenidade, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, destacou a importância da Bahia Farm Show como espaço de diálogo entre o setor produtivo e o poder público. O governador também ressaltou os investimentos em infraestrutura logística na região Oeste, com projetos ferroviários e rodoviários voltados à ampliação da capacidade de escoamento da produção e ao fortalecimento da agroindustrialização.
“Precisamos avançar na agregação de valor à produção agropecuária, transformando matéria-prima em proteína e produtos industrializados, gerando mais renda, empregos e desenvolvimento para a Bahia e para o Brasil”, afirmou.
BAHIA FARM SHOW
Realizada pela Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), com apoio da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), da Associação dos Revendedores de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do Oeste da Bahia (Assomiba) e da Fundação Bahia, a Bahia Farm Show é considerada uma das principais feiras de tecnologia agrícola e negócios do país.
A 20ª edição do evento ocorre entre os dias 8 e 13 de junho e reúne representantes do setor produtivo, instituições públicas, empresas, entidades de classe e agentes estratégicos ligados ao agronegócio.
Para 2026, a organização ampliou em 35% a área do complexo em relação ao ano anterior, totalizando 38 hectares (380 mil metros quadrados). A expectativa é receber mais de 500 expositores e movimentar investimentos estimados em R$ 180 milhões, consolidando a feira como uma das principais vitrines da inovação, tecnologia e competitividade do agronegócio brasileiro.
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