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Escalas de abate influenciam preços do boi gordo e criam cenários distintos no país

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Mercado interno: variações nos preços refletem dinâmica das escalas de abate

O mercado do boi gordo no Brasil apresentou comportamentos distintos ao longo da última semana, com variações nos preços da arroba dependendo da região. De acordo com o analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, em estados como São Paulo e Goiás, as indústrias frigoríficas testaram valores mais baixos, justificando a medida pela expectativa de um escoamento mais lento da carne no restante do mês.

Em contrapartida, os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registraram um mercado mais firme, com negociações acima das médias de referência. No cenário nacional, as escalas de abate seguem ajustadas, com prazos médios entre cinco e sete dias úteis.

Cotações regionais: desempenho semanal da arroba do boi gordo

Confira as cotações da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, nas principais praças pecuárias brasileiras no dia 24 de abril:

  • São Paulo (Capital): R$ 325,00 – queda de 1,52% em relação aos R$ 330,00 da semana anterior.
  • Goiás (Goiânia): R$ 310,00 – recuo de 4,62% frente aos R$ 325,00 da semana passada.
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 325,00 – alta de 1,56% sobre os R$ 320,00 anteriores.
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 325,00 – estabilidade em relação à semana passada.
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330,00 – avanço de 3,13% frente aos R$ 320,00 da semana anterior.
  • Rondônia (Vilhena): R$ 288,00 – queda de 0,69% em relação aos R$ 290,00 praticados anteriormente.
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Atacado: demanda enfraquecida pressiona valores

No mercado atacadista, os preços apresentaram volatilidade, embora o cenário geral aponte para tendência de queda. Segundo Iglesias, a demanda tende a permanecer mais comedida, com o consumidor priorizando proteínas mais acessíveis, como carne de frango, ovos e embutidos.

  • Quarto traseiro: cotado a R$ 25,00 o quilo – queda de 3,85% frente aos R$ 26,00 registrados na semana anterior.
  • Quarto dianteiro: vendido a R$ 20,50 o quilo – alta de 7,89% em relação aos R$ 19,00 praticados anteriormente.
  • Exportações: carne bovina brasileira mantém ritmo acelerado em abril

As exportações brasileiras de carne bovina in natura — fresca, congelada ou refrigerada — alcançaram receita de US$ 795,713 milhões nos 13 primeiros dias úteis de abril, com uma média diária de US$ 61,208 milhões. No total, foram embarcadas 159,328 mil toneladas, resultando em uma média diária de 12,256 mil toneladas. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 4.994,20.

Comparado a abril de 2024, os números indicam crescimento expressivo:

  • 43,1% de aumento na média diária em valor,
  • 29,8% de alta na média diária em volume,
  • 10,2% de valorização no preço médio da tonelada exportada.
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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

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Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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