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Governo busca liberar criação de 400 mil toneladas de tilápia em Itaipu, mas projeto enfrenta impasses ambientais e políticos
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Avanço da tilapicultura em Itaipu depende de aprovação do Congresso
O governo brasileiro pretende autorizar a criação de até 400 mil toneladas de tilápia por ano no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu, conforme estimativas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A medida, porém, ainda depende da revisão do Acordo Bilateral Brasil–Paraguai, que atualmente proíbe o cultivo de espécies exóticas — como a tilápia — no reservatório.
O Paraguai já deu um passo à frente. Em 22 de dezembro de 2025, o país vizinho sancionou uma lei permitindo o cultivo de espécies exóticas em corpos d’água fechados e semiabertos, abrindo caminho para a tilapicultura em sua parte do lago de Itaipu. Com isso, o projeto ganhou força dentro da direção da usina e no Ministério da Pesca e Aquicultura, mas para avançar no lado brasileiro, o tema precisa passar pelo Congresso Nacional.
Congresso adota postura cautelosa e cobra estudos técnicos
Apesar do apoio do Executivo, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirma que ainda não há tramitação ou articulação concreta para alterar o acordo bilateral. O grupo defende que o governo deve conduzir estudos técnicos detalhados antes de qualquer decisão, incluindo análises de impacto ambiental e protocolos de concessão de áreas aquícolas.
Em nota, a FPA reforçou que “qualquer autorização deve estar condicionada a critérios sólidos, com licenciamento ambiental, monitoramento permanente e governança binacional”. O grupo também pediu que o Ministério da Pesca apresente um cronograma claro de ações para dar previsibilidade ao setor produtivo e garantir segurança jurídica aos investidores.
Especialistas alertam para riscos ambientais no reservatório
Biólogos e ambientalistas têm manifestado preocupação com o projeto. O professor Jean Vitule, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), alerta que a introdução da tilápia em Itaipu pode gerar impactos severos nos ecossistemas locais e nas espécies nativas.
Segundo ele, há registros de escape de peixes em praticamente 100% dos cultivos em tanques-rede, método que seria utilizado na hidrelétrica. Esses escapes podem causar “poluição biológica”, já que a tilápia pode migrar para rios adjacentes e alterar a dinâmica ecológica da região.
Vitule também destaca que ventos fortes, chuvas, acidentes com troncos ou variações de vazão do reservatório podem romper os tanques, liberando os peixes. Outro risco é a proliferação do mexilhão-dourado, espécie invasora que pode se beneficiar da presença da tilápia e causar danos à infraestrutura da usina.
“A tilápia pode criar condições ideais para o aumento de mexilhões, que entopem tubulações, afundam tanques e forçam o uso de reagentes químicos. Isso gera custos e impactos ambientais sérios”, explica o pesquisador.
Espécie resistente e de alta reprodução aumenta riscos de invasão
A bióloga Gilmara Junqueira, conhecida como “Doutora dos Peixes”, reforça as preocupações. Segundo ela, a tilápia possui grande capacidade de adaptação e resistência, o que lhe permite sobreviver em ambientes variados e até extremos.
Essa característica faz com que o peixe possa competir com espécies nativas por alimento e espaço, alterando o equilíbrio ecológico em áreas naturais. Tilápias que escapam também podem carregar parasitas e doenças, ampliando os riscos para outras populações aquáticas.
“Além da reprodução acelerada, o comportamento territorial da tilápia faz com que ela se sobressaia sobre outras espécies, afetando a biodiversidade local”, afirma Gilmara.
Itaipu defende projeto e diz que não há risco à geração de energia
Em nota ao Poder360, a Itaipu Binacional afirmou que a introdução da tilápia não trará impactos à geração de energia nem causará conflitos entre os diferentes usos do reservatório. A hidrelétrica destacou que o lago, com 1.350 km² de área, já possui múltiplos usos, como abastecimento de água, produção pesqueira, recreação e preservação ambiental.
A empresa ressaltou que a principal medida de segurança será o monitoramento constante da qualidade da água, influenciada por fatores externos como atividades agropecuárias, ocupação populacional e práticas de conservação ambiental.
Produção sustentável e governança binacional são desafios centrais
Enquanto o Paraguai já autorizou o cultivo, o Brasil ainda debate o equilíbrio entre produção e sustentabilidade. A expectativa do governo é que o projeto possa impulsionar a produção de pescado, gerando empregos e renda na região Oeste do Paraná e no Paraguai, mas sem comprometer o meio ambiente.
O tema deve permanecer em discussão nos próximos meses, enquanto o setor pesqueiro aguarda definições técnicas e políticas que possam destravar o projeto e garantir segurança jurídica para futuros investimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Workshop discute adequação do Brasil ao Acordo sobre Subsídios à Pesca da OMC
Com foco na análise de políticas pesqueiras conforme as regras internacionais, foi realizado nesta quinta-feira (17) o primeiro dia de Workshop sobre o Projeto de Diagnóstico de Conformidade do Brasil com o Acordo sobre Subsídios à Pesca da Organização Mundial do Comércio (OMC), na sede do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em Brasília. O evento é promovido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO). O encontro reúne pesquisadores e especialistas das instituições envolvidas.
Durante a programação, a primeira apresentação aborda o Acordo de Subsídios da OMC e o Projeto Fish Fund, com informações sobre regras internacionais relacionadas a subsídios pesqueiros, pesca INDR, estoque sobre pescados e outros subsídios. Assim como o projeto utilizado como referência para o desenvolvimento dos trabalhos no Brasil. Na sequência, são apresentados os resultados preliminares da matriz de subsídios, etapa que busca organizar os diferentes tipos de apoio público relacionados ao setor, permitindo uma visão ampla das políticas existentes. A análise também contempla o Plano Safra, considerando as linhas de crédito, financiamento e demais instrumentos de apoio que abrangem as atividades de pesca e aquicultura.
O workshop também realiza uma apresentação de resultados preliminares com avaliações de estoques, tema que envolve a análise das informações disponíveis sobre as populações de espécies exploradas pela pesca e constitui um elemento importante para compreender a situação dos recursos pesqueiros e subsidiar sua gestão. Os resultados apresentados evidenciam a necessidade de aumentar o esforço nacional destinado à atualização dos estoques avaliados. A programação inclui ainda uma apresentação sobre a proposta de criação do Programa Permanente de Avaliação de Estoques Pesqueiros (PROESTOQUES), iniciativa apresentada como uma proposta de estrutura permanente para organizar e fortalecer a produção e a sistematização de informações científicas utilizadas na avaliação dos estoques. Nesse contexto, destaca-se que conhecer o estado dos estoques é condição para qualificar a gestão pesqueira e orientar o uso sustentável dos recursos, reforçando a relevância de mecanismos permanentes de produção para subsidiar a tomada de decisões e o ordenamento da atividade pesqueira.
Matheus Silveira
Ministério da Pesca e Aquicultura
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