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Governo de SP amplia apoio às mulheres do agro e anuncia R$ 753 milhões em investimentos durante Caravana 3D em Bauru
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O Governo do Estado de São Paulo reforçou o apoio às mulheres do agronegócio paulista durante a passagem da Caravana 3D pela região de Bauru. A agenda da Secretaria de Agricultura e Abastecimento destacou os resultados da linha de crédito FEAP Mulher, programa voltado exclusivamente ao fortalecimento das produtoras rurais do estado.
A visita à propriedade da agricultora Lucinda Golin Flores, em Bauru, marcou a programação oficial do evento. Ao lado do secretário estadual de Agricultura, Geraldo Melo Filho, a produtora apresentou os impactos positivos obtidos após acessar o financiamento rural destinado às mulheres do campo.
Com investimento de R$ 22 mil via FEAP Mulher, Lucinda implantou um sistema de energia fotovoltaica utilizado no abastecimento da irrigação da produção de hortaliças. Segundo a produtora, a iniciativa reduziu em cerca de 80% os custos com energia elétrica da propriedade.
Atualmente, a agricultora se dedica à produção de alface crespa destinada ao abastecimento de empresas da região de Bauru.
Crédito rural fortalece permanência no campo
Durante a visita, o secretário destacou a importância do acesso facilitado ao crédito rural para pequenos e médios produtores paulistas.
Segundo Geraldo Melo Filho, programas como o FEAP Mulher permitem que produtores invistam em tecnologia, aumentem a produtividade e mantenham a atividade rural economicamente sustentável.
A linha de crédito foi criada para ampliar a participação feminina no agronegócio paulista e já soma R$ 52 milhões em investimentos desde 2024.
O programa oferece financiamentos de até R$ 30 mil, com juros subsidiados de 3% ao ano, voltados à modernização da produção rural, aquisição de equipamentos, sustentabilidade e infraestrutura nas propriedades.
De acordo com a Secretaria de Agricultura, cerca de 43% de todo o volume de recursos operacionalizados pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) na atual gestão foi destinado a propriedades lideradas por mulheres.
Região de Bauru recebe investimentos no agro e infraestrutura rural
Além do fortalecimento das políticas de crédito rural, a região administrativa de Bauru vem recebendo investimentos em infraestrutura, mecanização agrícola, segurança alimentar e regularização ambiental.
Desde 2023, o FEAP já operacionalizou R$ 23,33 milhões em financiamentos rurais na região, distribuídos em 1.232 contratos em 39 municípios.
Pelo programa Patrulha Rural, o Governo de São Paulo destinou R$ 14 milhões para aquisição de 37 máquinas agrícolas em 18 municípios da região. Em Bauru, também foi entregue um caminhão-pipa com investimento de R$ 492 mil.
Na área de segurança alimentar, o programa Cozinhalimento contemplou 25 municípios da região, com repasses de R$ 1,65 milhão. Bauru recebeu uma unidade inaugurada em 2024.
A agenda ambiental também avançou na região. Atualmente, mais de 22,1 mil propriedades possuem cadastro ativo no Cadastro Ambiental Rural (CAR), sendo mais de 10 mil registros já validados.
Caravana 3D anuncia pacote de R$ 753 milhões para região
Durante a Caravana 3D, o Governo de São Paulo anunciou um pacote de R$ 753 milhões em investimentos para a região de Bauru, contemplando áreas como saúde, infraestrutura, educação, segurança pública, saneamento e mobilidade urbana.
Na saúde, os aportes somam R$ 67,9 milhões, incluindo:
- construção do AME de Jaú;
- ampliação do Hospital das Clínicas de Botucatu;
- investimentos no Hospital Nossa Senhora da Piedade, em Lençóis Paulista;
- modernização do HC de Bauru.
Na educação, os investimentos chegam a R$ 29,3 milhões destinados a reformas, ampliações e aquisição de equipamentos escolares.
Já na segurança pública, foram entregues 25 viaturas e inauguradas novas estruturas de atendimento policial e perícia técnica em Bauru.
Infraestrutura e saneamento também entram no pacote
O Governo paulista também firmou 40 convênios de infraestrutura em 38 municípios da região, totalizando R$ 75,1 milhões em obras.
Entre os destaques está a implantação do atracadouro da eclusa de Bariri, com investimento de R$ 65,5 milhões, além da duplicação de 22,3 quilômetros da Rodovia SP-333, em Guarantã, obra que recebeu aporte de R$ 145 milhões.
A Sabesp anunciou ainda R$ 318 milhões em investimentos em saneamento básico entre 2026 e 2029 para 16 municípios da região.
A Caravana 3D faz parte da estratégia do Governo de São Paulo voltada aos pilares de desenvolvimento, dignidade e diálogo, promovendo investimentos regionais e fortalecendo a integração entre estado e municípios.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Decisão valida Moratória, mantém leis estaduais e encerra ações
O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quarta-feira (12.08) o julgamento sobre a Moratória da Soja com uma decisão que preserva o acordo privado, mas também permite que Mato Grosso e Rondônia retirem incentivos fiscais das empresas participantes. A Corte determinou ainda o encerramento de processos judiciais e administrativos que discutiam a legalidade e os efeitos concorrenciais do pacto.
O resultado não representa vitória integral de nenhum dos lados. As tradings continuam autorizadas a estabelecer critérios ambientais próprios para a compra da soja. Os Estados, por sua vez, não são obrigados a conceder benefícios públicos a empresas que adotem restrições comerciais superiores às previstas na legislação brasileira.
Criada em 2006, a Moratória da Soja é um compromisso privado firmado por tradings, indústrias e organizações da sociedade civil. As empresas participantes se comprometeram a não comprar soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008.
A restrição abrange também áreas abertas com autorização dos órgãos ambientais. Isso ocorre porque o Código Florestal permite que produtores utilizem parte de suas propriedades no bioma Amazônia, desde que preservem os percentuais de reserva legal e cumpram as demais exigências ambientais.
Por maioria, o STF entendeu que a Moratória é legítima por decorrer da liberdade empresarial. Na avaliação da Corte, uma companhia privada pode definir critérios próprios para escolher seus fornecedores, inclusive com exigências ambientais mais rigorosas do que aquelas estabelecidas em lei.
O reconhecimento da validade do pacto, entretanto, não obriga o poder público a acompanhar essas regras. O Supremo manteve as leis de Mato Grosso e Rondônia que permitem negar incentivos fiscais e terrenos públicos às empresas vinculadas a acordos privados que limitem a expansão da atividade agropecuária legal.
Na prática, as tradings poderão aderir à Moratória e deixar de adquirir determinados lotes de soja. Mato Grosso e Rondônia, por outro lado, poderão retirar os benefícios públicos concedidos a essas empresas.
A aplicação das leis estaduais deverá respeitar as regras tributárias de anterioridade. Também não poderá desconsiderar a proteção concedida a incentivos fiscais com prazo determinado e vinculados a condições já cumpridas pelas empresas beneficiárias.
O resultado não provoca a retomada automática da Moratória. As principais tradings haviam anunciado a saída do acordo diante da entrada em vigor das restrições estaduais. Cada empresa terá agora de decidir se volta a participar do pacto, considerando a possibilidade de perder benefícios fiscais.
A parte mais controversa da decisão foi o encerramento dos processos relacionados à Moratória. Por seis votos a três, o STF determinou a extinção de ações indenizatórias e de procedimentos administrativos baseados na suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade do acordo.
A determinação alcança investigações em andamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão apurava se a adoção conjunta das mesmas restrições pelas grandes compradoras de soja poderia configurar uma prática coordenada capaz de limitar a concorrência.
Com o julgamento, essas apurações não deverão avançar com fundamento na suposta ilegalidade da configuração atual da Moratória. O STF considerou o pacto objetivo, público e voluntário e afastou, nos processos analisados, a tese de que o acordo seria necessariamente uma conduta anticoncorrencial.
A decisão também reduz o espaço para ações de produtores que buscavam indenizações por supostos prejuízos provocados pela recusa de compra de soja produzida em áreas abertas legalmente. Para a maioria dos ministros, a continuidade dessas disputas aumentaria a insegurança jurídica sobre a comercialização do grão.
O entendimento do Supremo se restringe ao modelo atual da Moratória. Eventuais mudanças no acordo ou novas condutas empresariais poderão ser analisadas posteriormente pelos órgãos competentes e pelo Judiciário.
Para o produtor, o resultado mantém dois cenários simultâneos. A soja produzida em conformidade com o Código Florestal poderá continuar sendo recusada por empresas que adotem critérios ambientais próprios. Essas companhias, contudo, poderão perder incentivos concedidos pelos Estados que considerem essas exigências prejudiciais à produção agropecuária legal.
O julgamento foi concluído pelo plenário, mas o acórdão ainda será publicado e poderá receber embargos de declaração. Esses recursos servem para esclarecer omissões ou contradições e, em regra, não reabrem o mérito central da decisão.
Fonte: Pensar Agro



