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Pecuária leiteira enfrenta desafio de rentabilidade em meio a custos elevados e mudanças climáticas
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A pecuária leiteira brasileira atravessa um momento de desafios para transformar produção em rentabilidade. Embora o Brasil tenha ultrapassado a marca de 38 bilhões de litros de leite produzidos em 2025, consolidando-se entre os maiores produtores mundiais, a rentabilidade das fazendas continua pressionada por custos elevados, oscilações climáticas e necessidade crescente de eficiência produtiva.
Segundo análise da médica-veterinária Vanessa Amorim Teixeira, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e analista de mercado agro da Belgo Arames, o cenário exige que o produtor vá além do aumento da produção e concentre esforços na gestão da propriedade e na otimização dos recursos.
Preço do leite reage, mas ainda não recupera margens
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o preço médio nacional do leite cru pago ao produtor alcançou R$ 2,66 por litro em abril de 2026, demonstrando recuperação em relação aos meses anteriores.
Apesar da melhora, a remuneração permanece inferior aos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro, alcançado em julho de 2022.
Ao mesmo tempo, despesas com energia elétrica, mão de obra, suplementação alimentar e outros custos operacionais continuam reduzindo as margens da atividade.
Clima aumenta pressão sobre os sistemas de produção
Outro fator de preocupação é o comportamento climático. A formação do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas mais elevadas e maior irregularidade das chuvas em diversas regiões produtoras, comprometendo a disponibilidade e a qualidade das pastagens.
Como grande parte da pecuária leiteira brasileira depende do pastejo, a redução da oferta de forragem tende a impactar diretamente o consumo de nutrientes pelos animais, reduzindo a produção de leite.
Além disso, a menor disponibilidade de água e alimento pode aumentar o estresse do rebanho, comprometendo o bem-estar animal, a saúde e o desempenho produtivo.
Planejamento torna-se fator decisivo para a rentabilidade
Diante desse cenário, especialistas destacam que a sustentabilidade econômica da atividade depende cada vez mais da eficiência da gestão.
Entre as principais estratégias recomendadas estão:
- planejamento da alimentação para os períodos de seca;
- formação de reservas estratégicas de forragem;
- monitoramento constante dos indicadores técnicos e financeiros;
- controle rigoroso dos custos de produção;
- manejo adequado das pastagens;
- adoção de sistemas de pastejo rotacionado.
Essas práticas permitem aumentar o aproveitamento dos recursos da propriedade e reduzir a vulnerabilidade diante das oscilações de mercado e do clima.
Infraestrutura pode elevar produtividade e reduzir custos
Os investimentos em infraestrutura também ganham importância dentro das propriedades leiteiras. Um dos exemplos é o cercamento estratégico das áreas de pastejo, que possibilita a divisão das pastagens em piquetes para manejo rotacionado.
Esse sistema favorece a recuperação das forrageiras, melhora a utilização da área disponível, aumenta a capacidade de suporte da propriedade e reduz a necessidade de suplementação alimentar, um dos principais componentes do custo de produção.
Como consequência, os produtores podem obter ganhos como:
- aumento da produção de leite por hectare;
- maior produtividade por animal;
- redução dos gastos com alimentação suplementar;
- melhor aproveitamento das pastagens;
- menor custo de manutenção das áreas de manejo.
Tecnologia e gestão fortalecem a competitividade
Segundo Vanessa Amorim Teixeira, investir em infraestrutura de qualidade e em tecnologias voltadas para o manejo do rebanho e das pastagens deixou de ser apenas uma melhoria operacional e passou a representar uma estratégia de gestão.
A especialista destaca que soluções como cercas elétricas de alta durabilidade facilitam a implantação do pastejo rotacionado, exigem menos manutenção e contribuem para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.
Em um cenário marcado por custos elevados e maior instabilidade climática, propriedades que investem em planejamento, tecnologia e infraestrutura tendem a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e competitivos, preparados para enfrentar os desafios da pecuária leiteira nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Leilão Bonsmara Santa Silvéria comercializa 100% dos touros e registra média de R$ 18,2 mil por animal
A 22ª edição do Leilão Bonsmara Santa Silvéria confirmou o aquecimento do mercado de genética bovina ao comercializar os 40 touros ofertados, alcançando média de R$ 18,2 mil por reprodutor. Realizado em formato totalmente virtual no dia 1º de julho, o remate reuniu animais selecionados pelo Programa Qualitas® de melhoramento genético, desenvolvidos para atender às exigências da pecuária de corte brasileira.
Além do desempenho nas vendas, o evento marcou a expansão da base de compradores da Fazenda Santa Silvéria, com a entrada de novos pecuaristas e elevada recompra de clientes que já utilizam a genética Bonsmara em seus rebanhos.
Segundo a proprietária da fazenda, Clélia Pacheco, o resultado demonstra a confiança do mercado no trabalho de seleção realizado ao longo dos anos.
“Observamos a chegada de novos compradores, inclusive do Mato Grosso do Sul, além do retorno de criadores que já utilizam a raça. Esse movimento reforça a credibilidade da genética que estamos produzindo e os resultados obtidos pelos animais nos sistemas de produção”, destaca.
Reprodutores jovens ganham espaço no mercado
Outro ponto de destaque do leilão foi a forte valorização dos reprodutores mais jovens, reflexo da crescente demanda por animais capazes de elevar o desempenho produtivo dos rebanhos desde as primeiras gerações.
De acordo com Clélia Pacheco, as avaliações de carcaça também contribuíram para aumentar o interesse dos compradores, especialmente daqueles que buscam genética para programas de cruzamento industrial.
“A avaliação de carcaça agregou ainda mais valor aos animais e fortaleceu a procura por reprodutores destinados ao cruzamento com matrizes meio-sangue, visando maior eficiência e produtividade”, afirma.
Genética adaptada às condições da pecuária tropical
Reconhecida como pioneira na criação da raça Bonsmara no Brasil, a Fazenda Santa Silvéria direciona seu programa de seleção para a produção de animais adaptados às condições tropicais, reunindo características como fertilidade, rusticidade, eficiência produtiva e capacidade de percorrer grandes distâncias durante a estação de monta.
Segundo a criadora, o objetivo vai além da comercialização de reprodutores.
“Nosso compromisso é entregar ao pecuarista uma genética comprovada nas condições brasileiras, capaz de proporcionar mais eficiência, desempenho e rentabilidade aos diferentes sistemas de produção de carne”, ressalta.
Fazenda Santa Silvéria investe em melhoramento genético desde 2000
O programa de seleção da Fazenda Santa Silvéria é conduzido desde o ano 2000 com base nos critérios do Sistema Bonsmara de Seleção, aliado a avaliações permanentes de desempenho.
A propriedade utiliza o Programa Qualitas® para avaliação genética e a ferramenta Progênie®, responsável por orientar os acasalamentos, buscando intensificar características de interesse econômico, como adaptação ao ambiente tropical, fertilidade, ganho de peso à desmama e desempenho ao sobreano.
Como resultado, a fazenda disponibiliza ao mercado reprodutores preparados para atuar em sistemas extensivos e transmitir aos descendentes atributos que contribuem para maior produtividade, eficiência e rentabilidade da pecuária de corte brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


