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STOXX 600 recua com investidores atentos a balanços corporativos e decisão do Fed
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Principais índices recuam com movimento de realização de lucros
O índice pan-europeu STOXX 600 registrava queda de 0,42%, aos 534,09 pontos, refletindo a postura mais cautelosa dos investidores e a busca por realização de lucros após uma sequência de valorização nas últimas semanas.
As ações do setor de varejo lideravam as perdas do dia, com recuo de 1,7%, enquanto os papéis do setor de saúde apresentavam queda próxima de 1%.
Tensão comercial entre EUA e China volta ao radar
A expectativa de avanços nas relações comerciais entre Estados Unidos e China também influenciava o humor do mercado. Segundo informações, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o representante comercial, Jamieson Greer, devem se reunir na Suíça neste fim de semana com a principal autoridade econômica chinesa. O encontro é visto como um possível passo inicial para a resolução da guerra comercial entre os dois países.
De acordo com Andrea Cicione, chefe de pesquisa da TS Lombard, “o mercado já havia precificado esse movimento, uma vez que houve declarações informais que indicavam o início dessas discussões, ainda que sem confirmação oficial”. Cicione acrescenta que, após uma forte valorização nas últimas duas semanas, o recuo atual representa uma correção natural do mercado.
Decisão do Fed mantém investidores em compasso de espera
Apesar do otimismo moderado com as negociações comerciais, os olhares do mercado seguem voltados para a reunião de política monetária do Federal Reserve, marcada para esta quarta-feira. A expectativa predominante é de manutenção dos juros, impulsionada por dados recentes que indicam resiliência no mercado de trabalho dos EUA.
Bolsas europeias operam em queda, com exceção de Lisboa
Nos principais mercados da Europa, o desempenho dos índices foi predominantemente negativo:
- Londres (FTSE 100): queda de 0,35%, aos 8.567 pontos
- Frankfurt (DAX): recuo de 0,23%, aos 23.195 pontos
- Paris (CAC 40): baixa de 0,70%, aos 7.642 pontos
- Milão (FTSE MIB): desvalorização de 0,34%, aos 38.430 pontos
- Madri (Ibex 35): queda de 0,68%, aos 1.438 pontos
- Lisboa (PSI 20): alta discreta de 0,06%, aos 7.013 pontos
O mercado europeu inicia a sessão em terreno negativo, refletindo a combinação entre realização de lucros e incertezas quanto ao cenário global, especialmente no que diz respeito à política monetária norte-americana e às relações comerciais entre EUA e China. A tendência, no curto prazo, dependerá dos desdobramentos dessas frentes e da leitura dos resultados corporativos em andamento.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Pesquisadores alertam: EL Niño vem turbinado e vai afetar calendário agrícola no Brasil
Pesquisadores e centros meteorológicos internacionais identificaram sinais de que o El Niño de 2026 pode entrar para o grupo dos mais intensos das últimas décadas e permanecer ativo até o início de 2027. O fenômeno, potencializado pelo aquecimento global, tende a alterar o calendário agrícola brasileiro, com risco de atraso no plantio da soja no Centro-Oeste e no Matopiba e excesso de chuvas no Sul, principal região produtora de trigo do País.
As projeções divulgadas entre maio e junho consolidaram a expectativa de um evento persistente. Em algumas áreas próximas à costa da América do Sul, o aquecimento da superfície do oceano chegou a ficar entre 2°C e 3°C acima da média, enquanto a região central do Pacífico registrava anomalias em torno de 0,7°C.
Diferentemente dos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o El Niño de 2026 se desenvolve em um cenário de aquecimento mais generalizado dos oceanos. Com menos contraste entre águas quentes e frias, os pesquisadores passaram a utilizar novos indicadores para medir a intensidade do fenômeno. Por esse critério, o episódio atual já apresenta características semelhantes às observadas em alguns dos eventos mais severos do registro histórico.
No Brasil, os efeitos costumam variar entre as regiões. No Sul, a combinação entre o El Niño e outros padrões atmosféricos pode favorecer volumes de chuva acima da média durante a primavera e o verão. Para culturas de inverno, como o trigo, a distribuição das precipitações ao longo do ciclo tende a ser mais importante que o volume acumulado, já que excesso de umidade durante a fase reprodutiva e na colheita pode afetar a qualidade dos grãos.
No Centro-Oeste e no Matopiba, o comportamento tradicional do fenômeno é diferente. As chuvas costumam se tornar mais irregulares no início da primavera, período que marca a abertura do plantio da soja. Eventuais atrasos na semeadura podem reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra em 2027, responsável por cerca de 80% da produção brasileira do cereal.
O País entra nesse cenário após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 358,6 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, além de uma colheita de 66,7 milhões de sacas de café e mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Segundo os especialistas, os impactos do fenômeno tendem a ser mais regionais do que nacionais. Enquanto parte das áreas produtoras pode registrar condições favoráveis, regiões dependentes da regularidade das chuvas, como Centro-Oeste e Matopiba, e áreas mais suscetíveis ao excesso de precipitações, como o Sul, devem concentrar maior atenção ao comportamento do clima ao longo da safra 2026/27.
Fonte: Pensar Agro

