MATO GROSSO
Mato Grosso, Congo e Indonésia trocam boas práticas para conservação florestal
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¿A troca de experiências bem sucedidas para a conservação das florestas tropicais em Mato Grosso, Indonésia e República Democrática do Congo (RDC) reuniu gestores públicos de três continentes em Cuiabá. Em pauta estiveram as ações para combate ao desmatamento ilegal, desenvolvimento econômico verde e mecanismos de pagamento por resultados.
“Cientistas em todo mundo são unânimes em afirmar que a solução contra o aquecimento global é baseada na natureza: são as florestas. Porque as florestas têm a capacidade de absorção de gases de efeito estufa e regulação do sistema hídrico, das chuvas”, explica a advogada e ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da República Democrática do Congo, Eve Masudi.
A advogada sustenta que é importante a união dos três países detentores das maiores florestas tropicais do mundo para que, durante as negociações globais contra as mudanças climáticas, o bloco tenha forças para transformar os ativos ambientais em receita, beneficiando suas populações.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a proteção e a restauração das florestas poderiam mitigar em 25% as emissões de carbono – redução necessária para limitar o aquecimento global a 1,5 graus até 2030. Brasil, Indonésia e RDC concentram 60% das florestas tropicais, consideradas fundamentais para a manutenção da qualidade de vida e segurança alimentar.
As ações empreendidas por Mato Grosso para atingir a neutralidade nas emissões de carbono até 2035 foram apresentadas pelo secretário Executivo de Meio Ambiente, Alex Marega. Segundo o gestor, o esforço de Mato Grosso em conter o desmatamento ilegal e os incêndios florestais coloca o Estado em condições de atingir a meta proposta em pouco tempo.
“A trajetória de descarbonização de Mato Grosso abrange 12 ações prioritárias que incluem a manutenção dos ativos florestais do estado, reflorestamento, adoção de uma economia de baixo carbono e redução dos incêndios florestais”, detalha Marega. Por meio do programa Carbono Neutro, Mato Grosso irá reconhecer os esforços de entidades, empresas, pessoas físicas e outros atores que demonstrarem a neutralidade das emissões.
As províncias de Jambi e Kalimantan Oriental também apresentaram suas experiências positivas para conservação das florestas. O governador de Jambi, Al Haris, demonstrou que a província trabalha com ações que incluem gestão integrada da paisagem, descarbonização, manejo florestal sustentável e fortalecimento das comunidades locais. Já Kalimantan Oriental iniciou as discussões para redução das emissões de gases de efeito estufa em 2008 e, agora, o governo se concentra no fortalecimento do licenciamento, resolução de conflitos fundiários, redução de desmatamento em áreas licenciadas e fortalecimento de povos originários e comunidades tradicionais. “Em 2022, nos tornamos a única província do sudeste asiático a receber pagamentos com base na nossa performance para redução das emissões”, comemora a secretária provincial, Sri Wahyuni.
Mecanismos financeiros
A capacidade de Mato Grosso em captar projetos como o Programa REM-MT também despertou o interesse da comitiva. Para Stepi Hakim, conselheiro governamental da província de Kalimantan na Indonésia, e Ignace Bonda, ministro da Província de Mai-Ndombe da RDC, um dos pontos altos da comitiva foi a oportunidade de entender melhor como Mato Grosso conseguiu atrair investimentos e transmitir credibilidade para os investidores.
A coordenadora geral do Programa REM Mato Grosso (da sigla em inglês REDD+ para Pioneiros), Lígia Vendramin, incentivou os pares a investirem na busca de pagamentos por resultados, a exemplo da captação feita por Mato Grosso junto aos governos da Alemanha e do Reino Unido. A premiação proporcionou investimentos no fortalecimento das políticas públicas de desenvolvimento sustentável de Mato Grosso. O interesse dos governos europeus surgiu a partir do lançamento da Estratégia Produzir Conservar e Incluir (PCI), que inovou ao estabelecer metas de comum acordo entre governo, sociedade civil organizada e setor privado, visando o desenvolvimento econômico, conservação da vegetação nativa e inclusão social.
“Especialmente a província de Kalimantan estava curiosa em conhecer como Mato Grosso criou instituições para atrair investimentos, resolver as questões de fluxo financeiro e demonstrar credibilidade aos financiadores e doadores. De modo geral, como temos projetos nos três países, é importante que aprendam juntos e talvez até construam políticas públicas conjuntas“, explica o Líder Sênior de Recursos Naturais do Banco Mundial no Brasil, Werner Kornexl.
A visita dos representantes da Indonésia e da República Democrática do Congo foi organizada pelo Banco Mundial com o objetivo de fortalecer o conhecimento e a compreensão dos participantes sobre estratégias para reduzir o desmatamento e construir programas jurisdicionais bem sucedidos. A comitiva esteve no Governo de Mato Grosso nos dias 04 e 05 de maio e seguiu para Alta Floresta, onde tiveram a oportunidade de conhecer projetos que visam fortalecer e garantir a resiliência climática da agricultura familiar.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
MP recomenda suspensão de novos pacientes em clínica de reabilitação
A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Chapada dos Guimarães (a 65 quilômetros de Cuiabá) recomendou a suspensão imediata da admissão de novos pacientes no Centro de Tratamento Vida Serena Premier após identificar indícios de irregularidades no funcionamento da unidade. A medida foi adotada no âmbito de um inquérito civil instaurado para apurar supostas irregularidades na clínica, que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química. As investigações começaram após denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso. A apuração integra ações do projeto Escuta Pró-Ativa, coordenado pela ouvidora-geral do MPMT, procuradora de Justiça Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, que realiza visitas técnicas para verificar as condições de atendimento em unidades de acolhimento e tratamento. Neste ano, o projeto já promoveu fiscalizações em penitenciárias de Cuiabá e Várzea Grande, além de comunidades terapêuticas e clínicas localizadas em Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Durante as inspeções, relatórios técnicos apontaram possíveis inconsistências entre o licenciamento da unidade e as atividades efetivamente desenvolvidas no local. Em inspeção realizada na instituição, foram identificados cerca de 43 pacientes acolhidos. Também foram constatadas possíveis inadequações estruturais e indícios da realização de procedimentos típicos de unidades médico-hospitalares. De acordo com a promotoria, a fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) constatou que a unidade realiza internações voluntárias, involuntárias e compulsórias. O relatório também apontou incompatibilidades entre os serviços prestados e o licenciamento sanitário então vigente, além de outras inconformidades administrativas e técnicas. O Ministério Público também constatou, durante a inspeção, a ausência de licença sanitária válida para o funcionamento da clínica. Conforme o procedimento, o alvará anteriormente apresentado perdeu a vigência e, até o momento, não houve comprovação da obtenção de uma nova autorização. Para o promotor de Justiça Leandro Volochko, a medida tem caráter preventivo e busca garantir a proteção dos pacientes. “Nosso objetivo é resguardar a saúde e a segurança das pessoas acolhidas enquanto os órgãos competentes analisam a regularidade do funcionamento da unidade e das atividades desenvolvidas no local”, destacou. Além da recomendação para suspender novas internações, a Promotoria requisitou informações sobre os pacientes atualmente acolhidos e determinou o envio de ofícios à Vigilância Sanitária e ao CRM-MT para a realização de novas fiscalizações.
Fonte: Ministério Público MT – MT



