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Aprovado novo embaixador do Brasil na Guiné-Bissau

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Foi aprovada nesta terça-feira (10), pelo Senado, a indicação do diplomata Pablo Duarte Cardoso para o cargo de embaixador do Brasil na Guiné-Bissau (MSF 12/2025). A indicação passou com 42  votos favoráveis, um contrário e uma abstenção.

Formado em direito, Pablo Cardoso ingressou no Itamaraty em 2000 e serviu em Buenos Aires, Washington, Ottawa e Lisboa. A mensagem com a indicação do diplomata havia sido aprovada em maio pela Comissão de Relações Exteriores (CRE). O relator foi o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).  

Durante a sabatina na CRE, ele falou sobre os desafios vividos pela Guiné-Bissau. A ex-colônia portuguesa, localizada na África Ocidental, declarou sua independência em 1973 e tem situação econômica delicada, com baixa renda per capita e baixo IDH. O principal produto da pauta de exportação é a castanha de caju, que corresponde a 90% do total.

— Tenho presente que a Guiné-Bissau é um país que, desde a sua independência, enfrenta enormes desafios institucionais, econômicos e sociais. Vou mencionar um único dado, para ilustrar por que ela aparece na posição 179, de um total de 193 países, no ranking de desenvolvimento relativo das Nações Unidas. Essa realidade exige-nos uma ação diplomática assentada, sobretudo, na cooperação para o desenvolvimento — disse o diplomata durante a sabatina na comissão.

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Relações

O Brasil abriu sua embaixada na Guiné-Bissau em 1974, mesmo ano da independência do país. A embaixada da Guiné-Bissau em Brasília foi inaugurada em 2011. A relação bilateral é marcada, sobretudo, pela cooperação técnica, que abrange áreas como saúde, agricultura, educação e formação profissional. 

O comércio bilateral foi de US$ 6,6 milhões em 2024. As exportações brasileiras são constituídas por óleos combustíveis e carnes de aves frescas, congeladas ou refrigeradas. Já as importações, por sua vez, compreendem frutas e nozes não oleaginosas em sua maioria. 

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Audiência aponta desigualdades no acesso ao tratamento da hemofilia no SUS

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Mesmo com os avanços científicos que ampliaram as opções terapêuticas para pessoas com hemofilia, especialistas, representantes de pacientes e técnicos do Ministério da Saúde defenderam, em audiência na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nesta quinta-feira (25), medidas para ampliar o acesso ao tratamento em todas as regiões do país.

Os participantes também destacaram a necessidade de fortalecer a assistência além da oferta de medicamentos, com serviços de reabilitação, apoio psicossocial e ações para reduzir desigualdades regionais.

A hemofilia é uma doença genética que afeta a coagulação sanguínea e pode provocar sangramentos de difícil controle.

Autor do requerimento para a realização da audiência pública, o senador Flávio Arns (PSB-PR) destacou que os avanços científicos e tecnológicos têm ampliado as opções terapêuticas para pessoas com hemofilia, com potencial para melhorar o controle da doença, reduzir episódios hemorrágicos e aumentar a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, segundo ele, o acesso a essas terapias ainda é desigual e exige maior debate no âmbito das políticas públicas, do planejamento orçamentário e da organização da rede de atendimento.

— Promover esse debate no âmbito do Senado é também reafirmar o compromisso desta Casa com a defesa do direito à saúde, com a redução das desigualdades no acesso ao tratamento e com a construção de respostas institucionais mais eficazes para uma população que ainda enfrenta barreiras relevantes para ter assegurado o cuidado de que necessita. 

Apesar de reconhecer progressos recentes nas pesquisas, na introdução de novos medicamentos e na atenção a esse público, a presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia (Abraphem), Mariana Battazza afirmou que a política pública precisa avançar no sentido de oferecer um cuidado integral para o paciente.

Mãe e esposa de pessoas com hemofilia, Mariana observou que a qualidade de vida do paciente não depende apenas de medicamentos eficazes e seguros, mas também do acesso ao cuidado integral com a reabilitação, o apoio psicossocial e uma rede que possa responder às reais necessidades da pessoa que convive com a doença. Nesse sentido ela defendeu a inclusão da hemofilia na Política Nacional de Atenção Integral à Pessoas com Doenças Raras. 

— O problema não termina quando ele recebe uma medicação, os pacientes ainda percorrem distâncias bem longas para receber o atendimento e a medicação, eles dedicam cerca de 5 horas e 26 minutos para cada visita, é a média estimada para cada visita ao centro de saúde. Eles vivem com limitações físicas permanentes e a grande maioria não tem acesso a suporte psicológico necessário.

Entre os avanços da política, Mariana citou a ampliação do acesso a terapias pró-coagulantes, a existência de centros de tratamento de hemofilia em todos os estados do país e o reconhecimento internacional do programa de hemofilia e a incorporação gradativa de novas tecnologias.

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Cuidadores

A situação relatada por pacientes e familiares foi reforçada por dados de pesquisa sobre o impacto da doença na rotina dos cuidadores.

Realizado pela Abraphem com 312 cuidadores, o estudo revelou que 70% deles relatam impacto significativo na vida profissional, sendo que 35% interromperam suas atividades para se dedicar ao cuidado exclusivamente e 67% relatam impacto em toda a dinâmica familiar. 

Entre os fatores que mais impactam na vida dos cuidadores e das famílias no geral, estão episódios de sangramento frequentes que refletem no cotidiano e a permanência de sequelas. 

A pesquisa ainda revelou que 71% dos cuidadores não possuem apoio psicológico, 62% relatam irritabilidade frequente, 56% citam ter insônia e 49% apresentam quadro de isolamento social. 

Questionados sobre o que eles esperam de uma política pública eficaz, 82% responderam desejar tratamentos menos invasivos, 75% apontaram a necessidade de maior acesso a tratamentos avançados e 55% disseram querer medidas para redução de dores e limitações físicas.

Desigualdades  

A presidente-executiva da Abraphem, Indianara Ramos Galhardo, afirmou que a associação recebe com frequência relatos de pessoas em situação de vulnerabilidade que enfrentam dificuldades para acessar o tratamento na rede pública.

Como exemplo, ela citou o caso de um adolescente de 16 anos com hemofilia B e inibidor que vivia em uma região distante do centro de tratamento. Segundo Indianara, não havia profissionais habilitados para administrar a medicação no município onde ele morava, o que o obrigava a realizar deslocamentos frequentes e complexos para receber assistência. Segundo ela, o jovem também apresentava crises alérgicas que exigiam atendimento recorrente e, após sucessivos episódios de sangramento, morreu em 10 de abril.

Indianara também citou como dificuldade no tratamento dessas pessoas o acesso a medicamentos com doses incompletas. 

— Eles recebem, chegam lá e falam que não tem a dose total do mês, tem só a dose da semana e voltam para casa. E aí tem que ir toda semana. Geralmente o hemocentro não notifica antes esse paciente e as pessoas precisam se deslocar.

Equidade 

Participantes da audiência destacaram as dificuldades regionais e locais enfrentadas por pacientes e seus familiares. O que, na visão deles, exige uma política que leve em consideração essas particularidades no acesso e deslocamento até os centros de saúde, como considerou a médica e membro da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Christiane Maria Silva Pinto. 

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— Nem sempre a incorporação feita lá fora vai ser a melhor incorporação para a gente aqui no Brasil. Então a gente tem trabalhado junto com os tratadores e com o Ministério da Saúde sobre os avanços que são permitidos (…). As associações dos estados, juntamente com as secretarias de saúde, podem se organizar para que a gente entenda melhor cada região. São regiões diferentes, necessidades diferentes, um garoto daqui de São Paulo não anda de barco, mas ele enfrenta outras coisas o amazonense não enfrenta.

A defesa foi reforçada pela diretora Técnica do Hemocentro de São José do Rio Preto (SP), Andrea Garcia. 

— Nós somos um país continental, nós temos individualizações que precisam ser feitas, porque existem necessidades diferentes em diferentes locais, então o programa fica meio difícil de ser executado da mesma forma em todos os lugares.  

Diálogo 

De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente o Brasil possui 35.852 pacientes identificados e cadastrados no Programa Nacional de Atenção às Pessoas com Coagulopatias Hereditárias, sendo 34% portadores de hemofilia A, 12% pacientes com outras coagulopatias, 6% com hemofilia B e 35% com a doença de Von Willebrand (distúrbio hemorrágico hereditário mais comum). O país possui hoje a quarta maior população com hemofilia do mundo. 

A coordenadora-geral de Sangue do Ministério da Saúde, Luciana Maria de Barros Carlos, reconheceu que a política precisa avançar para atender toda a rede que envolve o paciente. 

Ela disse que a área técnica do ministério tem dado atenção especial aos tratadores com participação da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras). O órgão é vinculado ao Ministério da Saúde e tem o objetivo de pesquisar, desenvolver e produzir medicamentos derivados do plasma humano e biotecnológicos para atender prioritariamente ao SUS, reduzindo a dependência externa do Brasil. 

Luciana também reforçou a importância da participação das universidades e das secretarias estaduais e municipais de saúde para subsidiar a interlocução e garantir efetividade do programa. Em relação à incorporação de novos medicamentos pelo SUS, ela afirmou que o compromisso do governo é avançar não apenas olhando para o orçamento, mas priorizar as evidência científicas e clínicas que não coloquem o paciente em risco. 

— Existe um compromisso de que as incorporações sejam feitas a partir de evidência clínicas, então algumas coisas que até agora não foram incorporadas é porque não temos evidência clínica fortes o suficiente para amparar essa incorporação.  

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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