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Desinformação, redes sociais e o papel da comunicação pública da ciência
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Durante a programação da SBPC 2025, realizada no Recife, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) promoveu uma importante roda de conversa sobre o tema “Desinformação, negacionismo e os desafios da comunicação pública da ciência nas mídias sociais”.
O encontro reuniu especialistas que atuam na interface entre ciência, política pública e sociedade para discutir estratégias de enfrentamento à desinformação e fortalecimento da confiança na ciência.
Participaram do debate a chefa da Assessoria de Comunicação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ana Cristina Santos; o líder de projetos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, Jean Campos; a líder de projetos do CGEE, Adriana Badaró; a jornalista e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Carolina Cunha.
Abrindo a conversa, Jean Campos trouxe dados preocupantes sobre desinformação. Segundo ele, 73% dos brasileiros buscam informações sobre ciência, tecnologia, saúde e meio ambiente nas redes sociais – espaços onde a desinformação se consolida como um problema público.
“A desinformação não é apenas um fenômeno técnico, mas político, e deve ser entendida dentro do contexto de desordem informacional”, disse.
Jean destacou que a Constituição de 1988 garante o direito à informação, e que a comunicação pública da ciência deve ser vista como um instrumento de ação pública, conectando ciência, políticas públicas e cidadania.
Adriana Badaró apresentou resultados da nova Pesquisa de Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil. Entre os temas abordados, ela destacou o impacto da desinformação e da chamada “higiene informacional”, especialmente em áreas como saúde, meio ambiente e ciência.
A pesquisa também analisou hábitos de checagem de informações e a percepção sobre fake news, vacinas e mudanças climáticas. Para Adriana, os cidadãos estão cientes da infodemia, mas muitas vezes compartilham desinformação sem saber.
“A valorização da ciência é, em grande parte, simbólica, e que ainda falta engajamento efetivo da população. A aceitação das evidências científicas”, pontuou.
Segundo ela, não depende apenas de dados técnicos, mas também de fatores culturais, morais e identitários. A desinformação é estrutural, não episódica — e o enfrentamento exige evidências públicas, acionáveis e acessíveis.
Já Carolina Cunha tratou das dinâmicas das redes sociais e do impacto dessas plataformas na circulação de desinformação. Ela explicou que a ciência só existe plenamente quando é comunicada e que o Brasil produz muita ciência, mas ainda carece de jornalistas e comunicadores especializados. Carolina destacou o descompasso entre o tempo da imprensa e o tempo da ciência, o que dificulta a cobertura da produção científica. Segundo ela, uma pesquisa bem divulgada gera mais interesse e mais citações. Sobre as redes sociais, Carolina alertou para o modelo de negócios centrado na atenção, que estimula o engajamento a qualquer custo, mesmo que isso signifique ampliar a desinformação.
“Combater a desinformação é essencial para orientar políticas públicas, decisões sociais e reduzir os danos causados pelo negacionismo. A integridade da informação pública envolve acurácia, transparência, dados compreensíveis e ética informacional”, ressaltou.
Encerrando a roda, Ana Cristina Santos enfatizou que a desinformação é um problema público, social, político, econômico e de saúde. Para ela, as soluções passam necessariamente pela comunicação — compreendida não como uma ferramenta utilitarista, mas como uma ciência em si.
Ana defendeu a “técnica consciente a serviço da integridade” e a valorização da comunicação pública como campo estratégico.
A representante do MCTI também chamou atenção para a necessidade de compreender como as pessoas se sentem diante da ciência, usando abordagens como a neurociência, e considerando fatores como sotaques regionais, familiaridade com os termos e vieses de confirmação.
“A comunicação é o que dá sentido à vida humana e, portanto, deve estar no centro das estratégias para enfrentar a desinformação”, concluiu Ana Cristina.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

