TECNOLOGIA
Liderado pelo MCTI, CGEE coordena diálogo do BRICS sobre foresight no campo da política de CT&I
TECNOLOGIA
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), realiza, nos dias 10 e 11 de abril, o International Workshop on Technological Foresight: STI Opportunities for BRICS Cooperation. A reunião será de forma virtual e contará com representantes dos países do BRICS para debater o futuro da ciência, tecnologia e inovação (CT&I).
Esta é a primeira reunião que será presidida pelo MCTI durante a presidência rotativa do BRICS. Ao longo do ano serão 14 eventos presenciais e virtuais realizados pela pasta.
A atividade integra o calendário oficial da presidência brasileira do BRICS em 2025 e foi incluída na agenda de cooperação em CT&I aprovada na 12ª Reunião Ministerial do grupo, realizada em Moscou em 2024, atualizada em reuniões do Comitê Gestor da cooperação do BRICS para CT&I. O objetivo central do workshop é fortalecer a colaboração entre os países membros por meio da troca de experiências e da construção conjunta de estratégias voltadas à inovação, ao desenvolvimento sustentável e ao uso de metodologias de foresight, que envolvem a antecipação e análise de cenários futuros.
Com condução do presidente do CGEE, Fernando Rizzo, o evento contará com representantes do Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul, além dos novos integrantes do grupo: Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Cada delegação compartilhará experiências nacionais e discutirá oportunidades conjuntas para o avanço da CT&I no contexto internacional.
Entre os temas em destaque estão a aplicação do foresight para prever tendências tecnológicas com impacto social e econômico, o papel da inteligência artificial e das tecnologias disruptivas na formação das sociedades do futuro, a sustentabilidade e a transição para cenários de baixo carbono, a integração de big data e IA nas políticas públicas, e a diversidade cultural como vetor de inovação.
Na agenda específica de ciência, tecnologia e inovação do BRICS, diversas atividades também serão realizadas no segundo semestre e outras cidades do Brasil, bem como em outros países-membros do grupo.
Conversa com os jornalistas
Após a reunião, o diretor presidente do CGEE, Fernando Rizzo, estará disponível para fazer um balanço e conversar com os jornalistas.
Data: 11/04/2025
Horário: 10h30
Local: Serpro (entrada do fundo)
Credeciamento em: https://brics.br/accreditation/media
TECNOLOGIA
Por que é tão importante registrar e mapear a biodiversidade brasileira? A ciência explica
A biodiversidade brasileira é riquíssima. O Brasil é líder em número de espécies de anfíbios e peixes de água doce, por exemplo, e está no top 5 quando se trata de outros vertebrados, como aves, mamíferos e répteis. Com tamanha variedade e importância mundial, mapear os exemplares é fundamental para o monitoramento científico.
A pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) Thais Condez explica que o monitoramento facilita a identificação de padrões de migração, de reprodução e de ocupação dos habitats; e gera informações para pesquisadores, como dados sobre polinização, essenciais para a produção de frutos. Além disso, esse tipo de conhecimento tem impacto na saúde humana, visto que a perda de habitats naturais e a redução da diversidade biológica podem aumentar o contato das pessoas com animais silvestres, favorecendo a transmissão de vírus e bactérias.
Os registros de espécies são uma parte fundamental da pesquisa e podem ser feitos pelo próprio pesquisador. Fotografias, gravação de sons, registros de pegadas, identificação de fezes e coleta de material, tanto de animais quanto de plantas, são artifícios que podem ajudar. Em alguns casos, porém, as espécies são catalogadas e mapeadas de formas diferentes. Os equipamentos utilizados para registrar peixes, por exemplo, são distintos daqueles utilizados para anfíbios.
O pesquisador do Instituto de Pesquisa do Pantanal (INPP), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leonardo Moreira explica que algumas espécies, por serem migratórias, são de difícil detecção. “Em muitos casos, os pesquisadores enfrentam dificuldades em dizer se determinada espécie passou ou permanece na região”, diz. Essas informações são fundamentais para a criação de estratégias de conservação que considerem não apenas um território específico, mas toda a rota utilizada pelos animais.
A participação da comunidade também está presente nesse tipo de pesquisa. A chamada ciência cidadã, ou ciência comunitária, ocorre quando a população pode auxiliar de algumas formas na identificação de espécies migratórias. Segundo pesquisa do Instituto Brasilieiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação da população passou a ter um papel central na fornecendo registro, respondendo por 49,83% das ocorrências disponíveis. Pequenos registros, como fotos, ajudam a identificar a passagem de animais. “A imagem é uma informação super importante, que mostra que determinada espécie ocorre naquela área, ou que, pelo menos, passa por ali em determinada época do ano”, explica.
O levantamento tem como base os dados do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), que ajuda na junção dessas informações, como um nó, conectando dados nacionais e internacionais. Isso permite que pesquisadores de diferentes países utilizem esses dados em estudos de escala regional e global.
De acordo com o estudo do IBGE, em 2025, os maiores volumes absolutos de espécies catalogadas no Brasil concentram-se nos grupos de aves (19.011.519 registros), plantas (11.157.476) e artrópodes (3.694.793). Já os maiores incrementos em relação a 2022 foram observados em fungos, com aumento de 176,6%, seguidos por mamíferos (155%) e peixes (139,9%).
Entre outros meios de mapeamento estão os satélites, como o Amazônia-1B que ajuda órgãos de monitoramento ambiental a orientar ações de fiscalização, planejamento e resposta a eventos extremos. Estudar a movimentação na área juntamente com pesquisadores que fazem esses registros de espécies torna possível entender em quais áreas determinadas espécies estão ameaçadas.
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