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Crise geopolítica global acelera reorganização das cadeias produtivas e amplia oportunidades para o Brasil
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A intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a crescente instabilidade nas cadeias globais de abastecimento estão acelerando uma profunda reorganização da economia internacional. Com o petróleo Brent operando acima de US$ 100 por barril, empresas de diversos setores passaram a rever estratégias logísticas, cadeias de fornecimento e modelos de produção diante do aumento dos custos operacionais e dos riscos globais.
Além dos impactos imediatos sobre fretes, combustíveis, inflação e transporte marítimo, especialistas avaliam que o atual cenário pode abrir uma importante janela de oportunidades para o Brasil em segmentos ligados ao agronegócio, indústria, infraestrutura, energia, saúde e comércio exterior.
Segundo Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, o mundo atravessa uma transformação estrutural nas cadeias produtivas globais.
“Estamos vivendo um movimento global de reorganização das cadeias produtivas. As empresas passaram a buscar operações mais seguras, previsíveis e regionalizadas. Nesse contexto, o Brasil ganha relevância estratégica pela sua capacidade produtiva, posição geopolítica, disponibilidade energética e potencial industrial”, afirma.
Brasil ganha protagonismo em novo mapa global da produção
Nos últimos anos, grandes empresas internacionais intensificaram o processo de revisão de suas cadeias de suprimentos, reduzindo a dependência excessiva de determinados países e ampliando a diversificação geográfica da produção e da logística.
O movimento começou durante a pandemia, mas ganhou força com os recentes conflitos geopolíticos e as incertezas envolvendo energia, transporte marítimo e segurança comercial.
Para especialistas do setor, países com maior estabilidade institucional, capacidade produtiva e segurança energética passaram a ganhar destaque na estratégia global das multinacionais — cenário que favorece diretamente o Brasil.
“O Brasil possui vantagens muito importantes neste momento. Temos mercado interno relevante, forte capacidade agrícola e industrial, matriz energética competitiva e espaço para expansão industrial. Isso faz com que o país volte ao radar de investimentos internacionais”, destaca Dias.
Segundo ele, o aumento da demanda por importação e exportação de máquinas, equipamentos e projetos industriais já vem sendo percebido nas operações logísticas ligadas ao comércio exterior.
Logística passa a ocupar papel estratégico nas empresas
Com cadeias produtivas mais complexas e mercados mais sensíveis a crises internacionais, a logística deixou de ser apenas uma operação de transporte e passou a integrar diretamente a estratégia corporativa das empresas.
A necessidade de maior previsibilidade, rastreabilidade e inteligência operacional vem acelerando investimentos em tecnologia, integração de dados e gestão de riscos.
“A logística deixou de ser apenas transporte. Hoje ela faz parte da estratégia das empresas. O mercado exige previsibilidade, integração tecnológica e capacidade de adaptação rápida aos cenários globais”, afirma Dias.
Diante do aumento da volatilidade internacional, empresas passaram a revisar:
- rotas logísticas;
- políticas de estoque;
- contratos internacionais;
- planejamento de supply chain;
- estratégias de mitigação de risco;
- diversificação operacional.
Ao mesmo tempo, cresce a busca por operadores capazes de oferecer soluções integradas e maior eficiência na gestão da cadeia de suprimentos.
Alta do petróleo amplia pressão sobre custos globais
Apesar das oportunidades estruturais para países exportadores e produtores de commodities, os efeitos imediatos da alta do petróleo continuam pressionando custos em diversos setores da economia.
O encarecimento dos combustíveis impacta diretamente transporte, armazenagem, produção industrial e distribuição de mercadorias.
Segundo Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group, o atual cenário exige maior capacidade de planejamento por parte das empresas.
“O efeito é em cadeia. O aumento do combustível afeta diretamente fretes, armazenagem, produção industrial e distribuição. Isso exige muito mais eficiência operacional e planejamento”, explica.
Além disso, a instabilidade internacional também amplia riscos ligados a seguros, disponibilidade de navios, prazos de entrega e custos operacionais.
“O nível de imprevisibilidade aumentou significativamente nos últimos anos. As empresas precisam trabalhar com cenários muito mais dinâmicos”, acrescenta.
Inteligência operacional será diferencial competitivo
Especialistas avaliam que o atual cenário consolida uma mudança definitiva na dinâmica do comércio internacional. Mais do que reduzir custos, empresas precisarão investir fortemente em:
- tecnologia;
- integração de dados;
- gestão de risco;
- inteligência operacional;
- diversificação logística;
- previsibilidade da cadeia de suprimentos.
Na avaliação do Fiorde Group, o diferencial competitivo das empresas nos próximos anos estará diretamente ligado à capacidade de adaptação e resposta rápida às mudanças globais.
“O diferencial competitivo não será apenas preço. Será capacidade de adaptação, velocidade de resposta e integração estratégica da cadeia de suprimentos”, afirma Dias.
Para o executivo, o Brasil pode assumir um papel ainda mais relevante na economia global caso consiga aproveitar o atual movimento de reorganização das cadeias produtivas internacionais.
“O mundo está redesenhando suas cadeias produtivas. E o Brasil tem potencial para assumir um papel muito mais relevante nesse novo ciclo econômico global”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mercado do milho segue pressionado pela safrinha e estoques elevados, enquanto clima preocupa produtores
O mercado brasileiro de milho encerrou a semana em ritmo lento, marcado por negociações pontuais, compradores abastecidos e pressão da pré-colheita da segunda safra. Apesar de algumas altas regionais e da cautela dos produtores diante dos riscos climáticos, o cenário de ampla oferta continua limitando uma recuperação mais consistente das cotações.
Levantamentos do Cepea indicam que o desenvolvimento da segunda safra segue satisfatório na maior parte das regiões produtoras do país. Contudo, áreas pontuais de Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul enfrentam preocupações relacionadas às geadas e ao tempo seco, fatores que podem afetar o potencial produtivo das lavouras.
Diante desse cenário, parte dos vendedores tem evitado negociações mais agressivas, sustentando os preços na expectativa de possíveis perdas climáticas. Por outro lado, muitos produtores seguem liberando volumes para abrir espaço nos armazéns e reforçar o caixa antes da entrada mais intensa da safrinha no mercado.
Enquanto isso, os consumidores mantêm postura cautelosa e realizam compras apenas em momentos de retração das cotações, já que boa parte das indústrias ainda trabalha com estoques confortáveis para as próximas semanas.
Oferta elevada trava reação mais forte das cotações
Segundo análises da TF Agroeconômica e de Safras & Mercado, o foco do mercado está totalmente voltado para a chegada da safrinha, o que reduz espaço para movimentos consistentes de alta.
Mesmo com recuperação pontual em Chicago e oscilações no dólar, o mercado interno permaneceu travado. Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos apresentaram comportamento misto, com pequenas quedas nos vencimentos mais curtos e leves altas nos contratos mais longos.
No acumulado semanal, a B3 registrou valorização de 0,60%, enquanto Chicago avançou 1,65%. Já o dólar recuou 0,77%, movimento que reduziu a competitividade dos preços nos portos brasileiros.
A média Cepea teve leve alta de 0,17% após semanas consecutivas de acomodação. Os contratos futuros encerraram a semana com julho/26 cotado a R$ 67,20, setembro/26 a R$ 69,94 e novembro/26 a R$ 72,94.
Mercado regional segue com liquidez reduzida
No Rio Grande do Sul, o mercado operou com baixa liquidez e negócios isolados. As indicações variaram entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, com média estadual em R$ 58,24, avanço semanal de 0,28%.
A colheita da safra 2025/26 já alcança 96% da área cultivada no estado. Entretanto, as lavouras mais tardias sofreram impactos do frio e da menor incidência solar, além de danos pontuais provocados por geadas, levando parte das áreas para produção de silagem.
Em Santa Catarina, os estoques elevados continuam travando os negócios. As pedidas dos produtores giram próximas de R$ 70,00 por saca, enquanto compradores indicam valores ao redor de R$ 65,00.
No Paraná, a liquidez também permanece limitada. A primeira safra está totalmente colhida, enquanto a segunda apresentou leve deterioração nas condições das lavouras, com redução das áreas classificadas como boas de 84% para 82%.
Já em Mato Grosso do Sul, o avanço da oferta pressionou as cotações, que oscilaram entre R$ 50,69 e R$ 52,17 por saca. O setor de bioenergia continua sustentando parte da demanda, mas os estoques elevados mantêm o consumo seletivo.
Cotações variam entre regiões produtoras
No levantamento semanal de Safras & Mercado, o milho apresentou comportamento misto nas principais praças do país entre os dias 14 e 21 de maio.
Em Cascavel (PR), a cotação subiu de R$ 61,00 para R$ 63,00 por saca, alta de 3,3%. Em Campinas (SP/CIF), o cereal recuou de R$ 68,00 para R$ 67,00, enquanto na Mogiana paulista caiu de R$ 63,00 para R$ 62,00.
Rondonópolis (MT) registrou uma das maiores valorizações do período, passando de R$ 50,00 para R$ 53,00 por saca, avanço de 6%.
Em Rio Verde (GO), o milho subiu de R$ 57,00 para R$ 58,00. Já em Uberlândia (MG), os preços permaneceram estáveis em R$ 60,00 por saca.
os portos, Paranaguá avançou de R$ 68,00 para R$ 70,00 por saca, enquanto Santos também atingiu R$ 70,00, refletindo movimentações pontuais ligadas às exportações.
Mercado ainda busca um piso para os preços
Analistas avaliam que o mercado brasileiro ainda procura um ponto de equilíbrio para os preços diante da combinação entre ampla oferta global e entrada da segunda safra nacional.
A recomendação para produtores que ainda possuem milho disponível é aproveitar momentos de recuperação das cotações para avançar nas vendas de forma gradual. Especialistas alertam que apostar em uma forte recuperação no curto prazo pode ser arriscado, principalmente com a intensificação da colheita da safrinha nas próximas semanas.
Para a safra 2026/27, a orientação é realizar proteção parcial da produção em momentos de valorização do mercado internacional, utilizando estratégias escalonadas de hedge.
O clima nos Estados Unidos segue no radar global. Eventuais problemas climáticos em regiões produtoras americanas podem alterar o comportamento das cotações internacionais e trazer maior volatilidade ao mercado nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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