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Agroindústrias familiares de Verê conquistam o selo Susaf e ampliam seu mercado no Paraná
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As agroindústrias familiares Paraíso das Abelhas e Tio Bita – Queijos Artesanais, localizadas em Verê, no Sudoeste do Paraná, conquistaram recentemente o selo Susaf (Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte), permitindo-lhes expandir suas atividades comerciais por todo o Estado. A certificação foi concedida na última quarta-feira (23), marcando um avanço significativo para os pequenos produtores locais.
Claudimar Isidoro de Carli, chefe do núcleo regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em Francisco Beltrão, destacou a importância dessa conquista. “O selo Susaf oferece uma oportunidade para que as agroindústrias deem passos maiores, ampliem sua visão e busquem novos mercados, além de facilitar a comercialização de volumes maiores, gerando mais desenvolvimento para suas famílias e comunidades,” afirmou.
A agroindústria Tio Bita – Queijos Artesanais, originária de uma pequena propriedade rural de herança familiar, iniciou sua produção de queijos coloniais em 2019, após anos dedicados à produção de leite. Desde então, a empresa tem se destacado pela produção de queijos destinados em grande parte à merenda escolar. Com o selo Susaf, a expectativa é aumentar significativamente a produção. “Atualmente, produzimos cerca de 100kg de queijo por mês e 300 litros de leite por dia. Com o Susaf, a previsão é de expandir para 500 litros diários,” explicou Marcos Ambrósio Alves, um dos administradores da empresa. A agroindústria já aguardava pela certificação desde que Verê aderiu ao sistema no final de 2023.
A agroindústria Paraíso das Abelhas, também familiar, é liderada pelo casal Izidoro e Lucila Itcak, que deram continuidade ao trabalho de apicultura iniciado pelo pai de Lucila. Inicialmente, a família produzia mel a granel para empresas especializadas, mas, em 2023, iniciou a industrialização do mel com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA). Com cerca de 400 colmeias e uma produção anual de 7 toneladas de mel, a empresa agora tem acesso a mercados estaduais, incluindo programas governamentais como a merenda escolar e o Compra Direta, que exigem o selo Susaf para o fornecimento de produtos.
Silvonei Pontes, zootecnista do CAPA, enfatizou as vantagens da certificação para a Paraíso das Abelhas. “As agroindústrias com o selo Susaf conseguem acessar mercados institucionais, como a merenda escolar e o Compra Direta. Isso proporciona maior sustentabilidade e viabilidade para a ampliação da produção,” explicou.
O Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf) foi criado em 2013 e regulamentado por lei em 2020. Sua adesão é realizada por municípios ou consórcios de municípios, que garantem que os serviços de inspeção municipal sejam equivalentes aos oferecidos pelo Estado. As agroindústrias certificadas pelo Susaf podem comercializar seus produtos em todo o Paraná, desde que cumpram rigorosos padrões de produção e higiene, assegurando a qualidade e a segurança alimentar.
Atualmente, 183 municípios aderiram ao Susaf, e 113 agroindústrias receberam a certificação no Estado. Leila Spengler, chefe do escritório regional de Dois Vizinhos da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), destacou o impacto positivo da certificação: “O Susaf tem proporcionado maior renda familiar e gerado mais empregos, especialmente para jovens que, ao invés de saírem de suas propriedades, retornam para continuar o trabalho iniciado por seus pais,” afirmou.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Trigo: El Niño aumenta risco climático e produção brasileira pode cair 20% na safra 2026/27
O mercado brasileiro de trigo entra na safra 2026/27 cercado por desafios. A combinação de redução da área cultivada, custos elevados de produção e a confirmação do fenômeno El Niño deve impactar significativamente a produção nacional, que pode registrar queda próxima de 20% em relação ao ciclo anterior.
A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de maior risco para os produtores, especialmente devido aos possíveis efeitos climáticos sobre a qualidade dos grãos.
Plantio avança, mas produtores reduzem investimentos
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do trigo já alcançou 45,3% da área prevista para a temporada 2026/27. As condições iniciais das lavouras são consideradas favoráveis, principalmente na Região Sul, onde a umidade tem contribuído para a boa emergência das plantas e o desenvolvimento vegetativo.
Apesar disso, o ambiente econômico segue desafiador. A rentabilidade considerada insatisfatória tem levado muitos produtores a reduzirem investimentos e diminuírem a área destinada ao cereal.
A projeção da Conab aponta retração de 13,4% na área cultivada. Somada a uma expectativa de produtividade 7,6% menor, a produção brasileira deverá atingir aproximadamente 6,2 milhões de toneladas, representando uma queda de cerca de 20% frente ao ciclo anterior.
Além da redução de área, os custos mais elevados de produção têm limitado o uso de tecnologias e investimentos em manejo, fator que também contribui para o viés baixista da safra.
El Niño amplia preocupação com a qualidade do trigo
A confirmação do El Niño adiciona uma nova camada de incerteza ao mercado. Embora o fenômeno possa favorecer o fornecimento de água durante as fases iniciais de desenvolvimento das lavouras, o excesso de chuvas ao longo do ciclo preocupa produtores e analistas.
O principal risco está relacionado ao aumento da incidência de doenças e à perda de qualidade dos grãos na fase final de maturação e colheita, situação historicamente observada em anos sob influência do fenômeno climático.
A qualidade do trigo é um fator decisivo para a indústria moageira e para a formação dos preços, tornando o clima uma variável estratégica para o mercado nos próximos meses.
Mercado doméstico registra valorização durante a entressafra
Enquanto a nova safra está sendo implantada, os preços do trigo seguem firmes no mercado interno. No Paraná, principal estado produtor do país, o cereal foi negociado próximo de R$ 70 por saca na primeira quinzena de junho, acumulando valorização nos últimos 30 dias.
O movimento reflete a baixa liquidez típica do período de entressafra. Produtores permanecem retraídos nas vendas, enquanto os moinhos adotam postura cautelosa diante das dificuldades de repassar aumentos aos preços da farinha.
A valorização recente do dólar também contribuiu para sustentar as cotações domésticas, elevando a paridade de importação e fortalecendo o mercado interno.
Cenário internacional segue volátil
No mercado global, o trigo apresentou forte volatilidade entre maio e junho. As cotações em Chicago chegaram a superar US$ 6,60 por bushel durante maio, impulsionadas pela seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos.
No entanto, o avanço da colheita no Hemisfério Norte, a melhora das condições climáticas em áreas produtoras americanas e perspectivas mais favoráveis para a safra russa provocaram correções nos preços no início de junho.
Apesar disso, persistem incertezas relevantes em importantes origens globais, como Ucrânia e Rússia, o que mantém o mercado sensível a qualquer alteração climática ou geopolítica.
Dependência de importações deve continuar elevada
Com a perspectiva de menor produção nacional, o Brasil deve manter elevada dependência das importações para abastecer o mercado interno.
Nesse contexto, a formação dos preços domésticos continuará fortemente influenciada pelo câmbio e pela competitividade do trigo argentino, principal fornecedor do cereal ao mercado brasileiro.
A expectativa é que os preços permaneçam sustentados durante a entressafra, embora o amplo abastecimento global limite movimentos mais expressivos de valorização no mercado internacional.
Perspectivas para o setor
O cenário para o trigo em 2026/27 combina fundamentos de oferta mais restrita no Brasil com riscos climáticos crescentes associados ao El Niño. Para os produtores, o momento exige atenção redobrada ao manejo das lavouras, estratégias de comercialização e gestão de riscos.
Enquanto o mercado acompanha a evolução do clima e do plantio, a qualidade da safra deverá ser um dos principais fatores para determinar o comportamento dos preços e a competitividade do cereal brasileiro nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

